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Atualizado às: 28 de maio, 2008 - 08h21 GMT (05h21 Brasília)
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Brasil não tem prazo para sair do Haiti, diz Jobim

O ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim. Foto: AP/Andre Penner
Jobim chegou ao país um dia antes do presidente Lula
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que não existe um prazo para a retirada dos soldados brasileiros que comandam, desde 2004, as forças de paz da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em francês).

Jobim conversou com a imprensa brasileira ao desembarcar na capital haitiana, Porto Príncipe, na terça-feira. A visita dele antecipou a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com chegada prevista ao país nesta quarta-feira.

Indagado se a presença dos soldados irá se dar por um período indefinido, Jobim respondeu: ''É sem prazo. Tem que sair daqui, quando puder sair''.

O ministro afirmou que não tem a ''mínima idéia'' de quando as tropas poderão se retirar e acrescentou: ''Se sair, as gangues retornam imediatamente''.

A ação das tropas brasileiras no país foi decisiva para desmantelar as gangues que controlavam as favelas da capital haitiana.

Presença brasileira

Mas críticos argumentam que o país já teria cumprido o seu papel e que a ação militar vem tendo custos elevados.

Em um recente artigo no jornal Folha de São Paulo, o ex-embaixador do Brasil em Washington e ex-secretário-geral do Itamaraty, Roberto Abdenur, defendeu que, apesar de a missão brasileira no país caribenho ter sido necessária e ter gerado frutos, seria hora de as Forças Militares se dedicarem a outros afazeres, como a proteção de águas territoriais, a defesa do espaço aéreo do país e o resguardo da soberania da Amazônia.

Segundo uma estimativa, os custos totais da operação militar no Haiti poderão chegar a um total de R$ 545 milhões até o final deste ano, cifra que quase equivaleria às quantias destinadas ao controle do espaço aéreo do país neste ano, que seria de R$ 583 milhões.

Jobim se disse contrário à idéia de traçar uma estratégia de retirada. ''A situação é instável. Alguns dizem que a gente tem que fazer um plano estratégico de retirada. A questão não é essa''.

''A questão é saber o seguinte. O Brasil tem responsabilidade junto ao Haiti? Tem responsabilidade junto à América Latina? Se tem, tem que cumprir essas responsabilidades e participar destas ações de natureza humanitária.''

O ministro pediu ainda que o Congresso brasileiro aprove logo o envio de mais cem militares do Batalhão de Engenharia para trabalharem em obras de infraestrutura no país. "Basta andar pela cidade para você ver que isso é necessário", disse.

Alimentos

Na terça-feira, as tropas brasileiras deram início à ação de distribuição de 150 toneladas de alimentos para a população haitiana na favela de Cité Soleil, a maior de Porto Príncipe, com a presença do ministro da Defesa brasileiro.

A operação deverá continuar nesta quarta e está prevista para contemplar dez mil famílias em sete pontos diferentes da capital haitiana.

Jobim negou que a operação tenha qualquer relação com a visita do presidente Lula ao país.

Recentemente, o Haiti viveu uma série de motins populares, provocados pela alta de preços de alimentos, que levaram à renúncia do primeiro-ministro Jacques Edouard Alexis.

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