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Atualizado às: 20 de maio, 2008 - 00h28 GMT (21h28 Brasília)
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Ex-guerrilheira diz que Farc estão 'rachadas' e convoca novas deserções

A guerrilheira 'Karina' em entrevista coletiva um dia depois de se entregar à polícia colombiana
'Karina' negou ter participado do assassinato do pai de Uribe
A ex-guerrilheira Nelly Ávila Moreno, conhecida como "Karina", que se entregou à polícia colombiana neste domingo, disse que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) estão "rachadas" e pediu a seus companheiros que abandonem a luta armada.

"A única coisa que sei é que (as Farc) estão rachadas (...). Eu penso que as Farc estão dizimadas e seguramente haverá muitos que em vez de se desmobilizar se deixarão matar", afirmou Karina, em entrevista coletiva realizada em Antioquia, no nordeste da Colômbia.

Considerada uma das principais comandantes do grupo rebelde, Karina disse que tomou a decisão de desertar como um "ato pela paz".

"Há que fazer algo pela paz na Colômbia e por isso me desmobilizei (...). Essa luta não se ganha por meio da guerra, é preciso dialogar", disse Karina, que aceitou participar do programa de desmobilização de guerrilheiros do governo colombiano.

Outra razão que teria levado a guerrilheira a abandonar as armas teria sido o cerco militar ao qual foi submetida, deixando-a incomunicável nos últimos dois anos.

Karina chamou seus companheiros a "mudar a vida que levam dentro da guerrilha" e a se incorporar ao plano de reinserção à vida civil do governo.

Desde 2002, mais de 9 mil guerrilheiros deixaram as armas sob o programa de desmobilização do governo, que garante casa e alimentação em troca do compromisso do abandono total da luta armada.

Somente neste ano, de acordo com oficiais militares, cerca de 87 integrantes da "frente 47" das Farc, grupo que Karina comandava, se entregaram ao Exército da Colômbia.

"Cruel e sanguinária"

Qualificada como "cruel e sanguinária" pelo governo colombiano, Karina negou as acusações.

"Me acusam de muitos fatos dos quais eu não fui a autora nem material nem intelectual", disse.

A ex-combatente também nega ter participado do assassinato do pai do presidente colombiano, o fazendeiro Alberto Uribe Sierra, assassinado em 1983 em uma fracassada tentativa de seqüestro.

O governo do presidente Álvaro Uribe havia oferecido uma recompensa de US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,6 milhão) para quem indicasse o paradeiro da guerrilheira.

Depois que Ivan Ríos, membro do secretariado das Farc e comandante direto de Karina, foi assassinado por seu guarda-costas, em março deste ano, a guerrilheira teria ficado ainda mais isolada e, de acordo com o governo, foi encontrada "morta de fome".

De acordo com o governo, a rendição de Karina estava sendo preparada havia pelo menos 15 dias.

O ministro de Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, disse que ela era uma das guerrilheiras mais buscadas pelo Exército.

"Há muito tempo estávamos atrás dessa mulher", disse o ministro, em entrevista à rádio RCN.

''Sempre nos escapava, e nesta ocasião o DAS (Departamento Administrativo de Segurança) e o Exército fizeram uma operação para que ela se entregasse", afirmou.

Para o comandante do Exército colombiano, o general Mario Montoya, seu governo deu um "golpe contundente" nas Farc, ao considerar que três frentes da guerrilha ficaram desmanteladas com a deserção de Karina.

O presidente Uribe tem intensificado a propaganda de desmobilização de guerrilheiros por meio da oferta de recompensas, ao mesmo tempo que vem endurecendo o combate militar contra a guerrilha por meio do Plano Colômbia, programa financiado pelo governo dos Estados Unidos.

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