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Atualizado às: 14 de maio, 2008 - 09h15 GMT (06h15 Brasília)
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Virgínia Ocidental: A cor do carvão

Lucas Mendes

Na Virgínia Ocidental o carvão manda na economia, e os brancos - 95% - mandam na política. Hillary Clinton ganhou com a grande margem prevista, o dobro, embora o senador Obama tenha gasto o dobro do que ela na campanha, mas os números para a indicação do partido ainda são contra a senadora.

Ela pode ganhar as cinco primárias que restam e não vai conseguir a maioria de delegados convencionais ou no voto popular.

A Virgínia Ocidental é um Estado pequeno, mas desde Woodrow Wilson, em 1916, nenhum candidato democrata chegou à Presidência sem ganhar o Estado.

Bill Clinton ganhou em 92 e 96. George Bush ganhou em 2000 e 2004. É um dos Estados “swing”, ou imprevisíveis, e aí está a força do argumento de Hillary Clinton.

O senador Barack Obama não vence em Estados decisivos que não têm maioria negra como Ohio, Kentucky, Pensilvânia e Indiana.

George Bush é presidente porque ganhou nestes Estados com maioria do voto branco rural de classe media baixa.

A Virgínia Ocidental, um Estado com mais de 90% de protestantes, decidiu a indicação de John Kennedy, um católico, que estava vinte pontos atrás nas pesquisas contra o senador Hubert Humphrey em 1960.

Kennedy, como Obama, gastou muito mais do que seu adversário, Hubert Humphrey, que cortava o Estado num ônibus caindo aos pedaços.

O dinheiro, o charme e as conexões de Kennedy prevaleceram. Humphrey, derrotado, saiu da campanha e seus partidários diziam que Kennedy tinha comprado a eleição.

O democrata, que tinha um senso de humor mais apurado do que a imprensa, às vezes tirava um telegrama do bolso. Dizia que era do pai milionário e lia: "Compre todos os votos que você precisa para ganhar, nem um a mais. Não vou pagar por uma lavagem".

A Virgínia Ocidental não vai fazer a diferença no número de delegados nem no voto popular, mas vai reforçar a noção de que Barack Obama não consegue o indispensável voto branco rural.

A senadora ganhou entre brancos, mulheres, jovens, velhos, independentes, ricos e pobres. O senador só ganhou em dois grupos: homens brancos com diplomas universitários, mas com uma margem de apenas dois pontos percentuais, e entre os eleitores que “querem mudança” - por apenas um ponto.

Mais complicado: 38% dos eleitores de Hillary Clinton da Virgínia Ocidental dizem que não vão votar por Obama em novembro. Votarão em McCain ou ficarão em casa. Racismo? Também, mas não apenas.

O senador Obama sabia que ia perder e não fez campanha no Estado além dos comerciais na mídia. Muitos eleitores se queixaram que não conhecem bem Barack Obama e quase a metade citou a conexão dele com o pastor Wright como um dos seus pontos fracos.

Os defensores do senador argumentam que ele ganhou 15 Estados pela mesma margem que perdeu na Virgínia Ocidental. O problema é que ele ganha em Estados “vermelhos”, no meio e no sul do país onde os democratas quase nunca ganham em novembro.

Michigan e Flórida são outras duas cartas que a senadora vai jogar na mesa, embora, na época, ela tenha concordado com as regras do jogo: os votos não contariam. Ninguém imaginava que dois milhões de quinhentos mil eleitores, um recorde, iam sair de casa para jogar o voto fora.

Há uma negociação em processo, mas nem com os votos dos dois Estados divididos para favorecer a senadora ela consegue a maioria dos delegados ou do voto popular.

Hillary Clinton foi generosa no discurso de vitória na Virgínia Ocidental. A campanha está com uma dívida de US$ 20 milhões. Não atacou o adversário democrata - o pagamento da dívida pode ser parte de um futuro acordo. Pediu dinheiro aos partidários, mas o que ela quer, além da quase impossível indicação do partido, ainda é um mistério.

A próxima eleição? A Vice-Presidência? 55% dos democratas querem o “dream team”. Governar Nova York? Liderar a maioria no Senado?

Apesar da vitória, a Presidência é um sonho cada dia mais impossível, mas hoje, graças em parte ao carvão da Virgínia Ocidental, o horizonte político da senadora tem cores vivas.

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