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O muro branco

Lucas Mendes

Os profetas nos dizem que desta vez em Indiana, ou vai ou racha: Hillary precisa ganhar e Obama não pode perder.

Indiana é um Estado complicado, em geral republicano. Desde 64 não vota num democrata para presidente e a última vez que esteve no mapa das primárias democratas foi em 68 com a vitória de Bobby Kennedy.

As pesquisas colocam a senadora e o senador empatados, mas a derrota na Pensilvânia mostrou que Barack Obama tem um muro branco na frente dele: não ganha entre brancos acima de 60, não ganha o voto das mulheres e, mais complicado, perde o voto do branco de classe média baixa.

Ele reconhece as limitações dele entre os velhos porque "preferem votar em alguém que conhecem" e "entre eles, ela é muito mais conhecida do que eu".

Mas Obama estava convencido que ia conquistar o voto branco dos pobres na Pensilvânia e apostou pesado, quase quatro vezes mais do que a senadora. E perdeu.

Tinha fracassado também em Ohio, com características semelhantes a Indiana. Racismo? Nesta questão as pesquisas não são confiáveis embora pelo menos duas confirmem que de 15% a 18% não votarão em Barack Obama porque ele é "diferente".

Um grupo não vota nele porque é negro e outro porque acha que o país não está pronto para eleger um negro.

Os entrevistados não admitem racismo e esta teoria racial não explica porque Obama ganhou várias eleições em Estados com maioria branca e seus comícios gigantes têm tantos brancos quanto os de Hillary Clinton.

Ele ganhou no branquíssimo Wisconsin, um complicador da equação. Mas entre a população branca menos afluente ele só ganhou 5 em 28 primárias.

O comentário dele de que pobres se apegam a armas e religião em tempos difíceis tirou votos na Pensilvânia, mas até agora nada teve impacto mais negativo na campanha do que o pastor Jeremiah Wright, um negro, seu guia espiritual, com seus comentários antiamericanos.

Barack Obama não se cansa de esclarecer que não concorda com Jeremiah Wright e ontem se "divorciou" do pastor em público. Mas por que esperou 20 anos? Por que rezou com o pastor sozinho no porão da igreja antes de anunciar sua candidatura à presidência?

Os comerciais já estão no ar na campanha da Carolina do Norte que vota nesta terça junto com Indiana.

Hillary Clinton também tem um problema de raça. Se conseguir a indicação do partido com o voto dos super delegados sem os votos dos delegados convencionais e sem maioria popular corre o risco de alienar o voto negro.

Uma eleição que parecia ser a mais fácil para o partido democrata desde Jimmy Carter em 1976 - a primeira depois do escândalo Watergate e do perdão de Nixon pelo presidente Ford - toma ares republicanos.

Se Obama for o candidato, corre o risco de perder quatro Estados que têm definido as eleições americanas: Ohio, Flórida, Michigan e Pensilvânia.

Este é um voto indispensável para vencer a eleição de novembro.

Contrariando os profetas que anunciam a saída da senadora caso ela perca em Indiana, digo que ela continuará na briga porque logo virão Kentucky e West Virginia, onde o voto branco é maioria e pró-Clinton.

Nenhum candidato democrata chegou à Presidência depois de perder esses dois Estados e o Tenessee, que Obama perdeu na Super Terça.

A campanha está longe de ser definida, a senadora está no páreo, e o republicano está feliz, protegido pelo muro.

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