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Atualizado às: 08 de maio, 2008 - 20h50 GMT (17h50 Brasília)
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Fritzl atribui abusos contra filha a 'vício', diz revista
Rudolf Mayer, advogado de Josef Fritzl
O advogado Rudolf Mayer fez as declarações à revista 'News'
Josef Fritzl, o austríaco que admitiu ter mantido a filha em um porão durante 24 anos, disse ter sido motivado por um vício que "saiu fora de controle", segundo declarações de seu advogado, Rudolf Mayer, à revista austríaca News.

Em conversa com Mayer, Fritzl teria admitido mais uma vez ter estuprado a filha repetidamente.

"Eu sabia que Elisabeth não queria que eu fizesse o que eu fiz com ela. Eu sabia que a estava machucando. Era como um vício. Na realidade, eu queria ter filhos com ela", disse Fritzl, de acordo com a descrição de Mayer à revista.

"Eu sabia o tempo todo que o que eu estava fazendo não era certo, que eu devia ser louco por fazer tal coisa", teria dito o austríaco, segundo a publicação. "Mas, apesar disso, tornou-se uma realidade para mim ter essa segunda vida que eu vivia dentro do porão."

Mayer conta ainda que Fritzl disse ter encarcerado Elisabeth, em 1984, para protegê-la do mundo exterior, como uma forma de controlar o comportamento da filha, depois que "ela quebrou todas as regras" no início da puberdade.

"Eu precisava criar um lugar no qual eu pudesse mantê-la longe do mundo exterior, à força, se necessário", diz outra frase atribuída a Fritzl pela revista.

Cativeiro

O austríaco teve sete filhos com Elisabeth - um morreu pouco depois de nascer, três eram mantidos presos com a mãe, e os outros três viviam com Fritzl e a mulher na parte de cima da casa.

Ele teria dito ainda que tentou tomar conta de Elisabeth e das crianças levando flores, brinquedos e livros para o cativeiro.

"Quando eu ia para o porão, eu levava flores para minha filha, e livros e brinquedos para as crianças, eu assistia a filmes de aventura com eles enquanto Elisabeth cozinhava o nosso prato favorito", afirmou Fritzl, segundo relato de Mayer. "Nós sentávamos todos juntos para comer."

Um outro jornal austríaco, o Oesterreich, também afirma que Fritzl teria tentado se defender. Ele teria criticado a cobertura da imprensa sobre o caso como "totalmente parcial", e acrescentou que não é "um monstro".

Elisabeth disse à polícia que o pai começou a abusar sexualmente dela quando ela tinha 11 anos. Ela tinha 18 quando foi encarcerada.

Amor

De acordo com a reportagem da revista News, Fritzl declarou que ainda ama sua mulher, Rosemarie, com quem teve sete filhos.

"Desde que eu me lembro, eu tinha um desejo profundo de ter muitos filhos - e eu considerava Rosemarie a pessoa certa para ser a mãe", disse o austríaco, de acordo com a publicação. "A realidade é que eu a amava e ainda amo."

Fritzl também teria repetido a alegação de que havia instalado um dispostivo nas portas do cativeiro que faria com que elas se abrissem depois de um determinado tempo. Isso, segundo Fritzl, poderia garantir a liberdade da família caso alguma coisa acontecesse com ele.

"Se eu tivesse morrido, Elisabeth e as crianças teriam se libertado", diz outra frase atribuída ao austríaco na reportagem.

Paisagem austríacaCaso Fritzl
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