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Atualizado às: 09 de abril, 2008 - 18h27 GMT (15h27 Brasília)
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Brasil será afetado por declínio nos EUA, diz FMI

Operador da Bolsa de Valores de Nova York (foto arquivo)
Relatório afirma que declínio nos EUA deve afetar América Latina
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que o declínio econômico americano irá afetar o Brasil.

O comentário foi feito nesta quarta-feira, em Washington, por Charles Collyns, vice-diretor do departamento do Fundo que responde pela região das Américas, durante entrevista coletiva que apresentou as conclusões do relatório World Economic Outlook (Perspectiva Econômica Global).

"O Brasil e outras economias latino-americanas têm sido bem resistentes diante do declínio dos Estados Unidos e das dificuldades financeiras", disse Collyns. "Mas, ainda assim, o Brasil irá sofrer os efeitos da economia americana."

A despeito da previsão, o Fundo reviu para cima a sua estimativa sobre o crescimento econômico brasileiro.

Em janeiro deste ano, o FMI previa que o Brasil cresceria 4,5% em 2008. Pela estimativa recém-divulgada, o Brasil crescerá 4,8%.

Segundo os números do World Economic Outlook, o crescimento brasileiro será maior do que o da economia global, cuja previsão de crescimento foi reduzida em 0,5 ponto percentual em relação à projeção de janeiro, passando a 3,7%.

Declínio

Para 2009, no entanto, o Fundo prevê um ligeiro declínio, em relação ao levantamento anterior.

Em janeiro, o FMI havia projetado que a economia do Brasil cresceria 4% em 2009, mas a estimativa do relatório atual é de que o crescimento no ano que vem deverá ser de 3,7%.

"A economia brasileira tem ido muito bem desde o ano passado", disse Collyns. "O quarto trimestre (de 2007) foi melhor do que nós havíamos antecipado."

"O crescimento ficou na faixa de 5,5%, em 2007, o que teve efeito sobre o desempenho de 2008, em termos de crescimento anual", acrescentou.

O vice-diretor do FMI diz acreditar que o Brasil "continuará indo bem, devido a sua disciplina na implantação de políticas macroeconômicas", mas que será uma tarefa quase impossível permanecer alheio à desaceleração americana porque o chamado "contágio" da crise dos Estados Unidos deve se intensificar.

Emprego e commodities

O World Economic Outlook diz que o Brasil e outros países latino-americanos não têm sido tão afetados pela crise econômica dos Estados Unidos como o México, cuja economia é muito atrelada à americana, e as nações caribenhas, que sofreram os efeitos do declínio do setor de construção.

O Brasil, segundo o FMI, estaria se valendo de um crescimento econômico constante, com quedas em suas taxas de juros e um forte índice de emprego.

Venezuela, Argentina, Colômbia e Peru se beneficiaram, de acordo com o relatório, do fato de que são exportadores de commodities.

Mas o FMI estima que dificilmente a economia latino-americana deixará de ser afetada por um declínio mundial mais profundo.

Entre os fatores que poderiam afetar as nações latino-americanas, na avaliação do Fundo, estão possíveis quedas nos preços de commodities, um crescimento mais tímido de mercados externos e a intensificação das dificuldades de instituições financeiras americanas e européias com presença na América Latina.

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