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Atualizado às: 04 de abril, 2008 - 21h37 GMT (18h37 Brasília)
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Reforma educacional gera polêmica na Venezuela

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em visita ao Brasil (27/03/2008)
Chávez propôs referendo sobre modelo educacional em 2009
A proposta de uma reforma educacional na Venezuela vem provocando ameaças de greve de professores e manifestações a favor e contra o governo do presidente Hugo Chávez.

A reforma prevê a criação de um currículo "bolivariano” que, na visão do governo venezuelano, seja “libertador e humanista” e se desprenda do modelo atual, supostamente orientado por “valores eurocêntricos e norteamericanistas”.

As mudanças vinham sendo elaboradas desde o ano passado, mas os protestos foram detonados pela determinação do governo de que os docentes das redes públicas e privadas realizassem um curso de capacitação para a aplicação do novo currículo.

A Federação Venezuelana de Professores disse que a reforma "piora a educação" e a oposição tachou o novo currículo de "doutrinador".

Diante da polêmica e em ano de eleições municipais, o governo retrocedeu. Chávez propôs na noite de quinta-feira que as modificações do currículo sejam definidas apenas em 2009, por meio de um referendo popular.

“Podemos fazer um referendo com dois modelos, o nosso e a oposição que apresente o seu”, disse o presidente, que defendeu um "grande debate" sobre o assunto em 2008.

Heróis

Chávez disse ter discordado de alguns aspectos do novo currículo bolivariano e indicou ao ministro de Educação Adán Chávez, que é seu irmão, que o projeto deve ser “mais amplo”.

"O desenho curricular educativo não pode ser elaborado para promover somente o modelo socialista, tem que ser amplo. Discutamos o que é o socialismo e o que é o capitalismo”, disse Chávez.

Ele não deixou claro, porém, se os cursos de capacitação serão interrompidos até a data do referendo.

"Se esse não é o currículo que vai (ser implementado) e sim o que surgirá de uma consulta, que deve ser mais reflexiva que eleitoral, a implantação desses cursos deve ser suspensa ”, disse Nelson González, presidente da Federação de Trabalhadores do Magistério, ao canal de TV Globovisión.

Apesar da proposta de referendo, a Federação do Magistério e a de Professores prometem realizar protestos nos próximos dias.

“Nosso objetivo é rebelar-nos contra uma reforma curricular que consideramos que piora a educação”, disse a jornalistas Orlando Alzuru, presidente da Federação Venezuelana de Professores.

Currículo bolivariano

O currículo bolivariano propõe que no primeiro grau os alunos conheçam os “heróis” da história venezuelana como Simón Bolívar, Ezequiel Zamora e Simón Rodríguez.

Os personagens da independência da América Latina e o educador brasileiro Paulo Freire também estão contemplados no novo currículo.

Um dos aspectos que mais têm sido criticados pelos opositores é a atualização da história recente do país a partir de 1999, quando se instaurou a chamada Revolução Bolivariana.

"O povo não vai permitir que sejam impostas decisões que violem seus direitos e que atentem contra o futuro de seus filhos”, disse Manuel Rosales, líder da oposição, governador do Estado de Zulia, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira.

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