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Atualizado às: 03 de abril, 2008 - 09h14 GMT (06h14 Brasília)
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Uma (boa) opção para a saúde dos Estados Unidos

Clínica Tepeyac, em Denver.
A clínica Tepeyac cobra menos da metade do preço da consulta normal.
A questão do seguro-saúde é um dos problemões que o futuro presidente dos Estados Unidos, quem quer que seja, terá que enfrentar. Existem milhões de americanos sem nenhum tipo de cobertura e muitos deles talvez até se arrependam de não ter morrido ao ver as contas dos seus tratamentos.

No caso dos latinos que residem no país, o problema é especialmente grave. Segundo dados de 2006 do Censo americano, 15,3 milhões deles, ou 34,1% dos hispânicos nos Estados Unidos, estão sem seguro.

Para a maior parte dessas pessoas, ficar doente significa correr para o pronto-socorro, o que sai bem caro. Quem procura clínicas corre outro risco: muitas simplesmente se recusam a atender pessoas que aparecem sem cobertura.

Os pré-candidatos à Casa Branca têm algumas propostas para resolver o problema: Hillary quer obrigar todas as pessoas a fazer um plano de saúde, mas admite dar subsídios aos que não puderem pagar. Obama quer obrigar apenas pais a pagarem planos de saúde para seus filhos, e McCain quer reformar o sistema para que os planos fiquem mais baratos. Mas todas essas soluções exigem batalhas que podem ser longas e inglórias no Congresso.

Depois de quatro horas de carro saindo da gélida Rawlins, entramos no sol do Colorado - um Estado onde vivem 2% dos hispânicos dos Estados Unidos. Fomos direto para a capital, Denver, onde descobrimos que existe uma opção imediata aos que não têm seguro de saúde. Tudo bem, o interessado tem que cruzar os dedos para ser atendido pela clínica Tepeyac, precisa ter um pouco de sorte, mas é uma opção.

'Todo dia recebemos aproximadamente de 100 a 150 telefonemas para marcar consultas. De mais de cem, acredito que uns cinco interessados conseguem marcar consulta por dia, e dizemos aos demais que tentem amanhã', explica Oswaldo Lozano, gerente da clínica. 'Muita gente fica chateada', diz.

À primeira vista, a clínica é igual a qualquer outra. Fica um pouco longe do centro de Denver, numa rua residencial de um bairro dominado por mexicanos, e até parece mais tranqüila que o normal. Mas a Tepeyac proporciona atendimento bom e barato a pessoas que não têm seguro-saúde. Só para as pessoas que não têm seguro-saúde - quem tem a possibilidade de ser atendido nos programas de ajuda de saúde do governo é rejeitado.

Placa da Clínica Tepeyac, em Denver.
A clínica é mantida com doações e fundos.

'Esta clínica é única, queremos ajudar muita gente, mas não podemos ajudar todo o Estado do Colorado!', reclama Oswaldo, esboçando uma risada.

Diariamente, são atendidos entre 50 e 60 pacientes, dependendo dos médicos que estiverem de plantão. Inevitavelmente, a maioria esmagadora dos atendidos na clínica são hispânicos. É o caso de Oswaldo, que veio do México. Ele estima que até 45% da população de Denver não tenha qualquer tipo de cobertura médica.

A falta de plano de saúde é compreensível - até o ano passado, um seguro 'modesto' custava de US$400 (R$ 690) a US$ 600 (R$1 mil) por mês para uma família de quatro pessoas e uma consulta pode variar de US$ 70 (R$120) a US$ 175 (R$302). A clínica Tepeyac cobra US$ 20 (R$34) pela consulta e encaminha os pacientes a farmácias onde podem comprar genéricos mais baratos, colaborando para reduzir outro imenso gasto.

Mãe e filho esperando atendimento na clínica.
Só pacientes sem seguro sáude são atendidos.

O mais impressionante é que o governo não tem envolvimento na clínica. Oswaldo conta que ela surgiu em 1995 por iniciativa de uma igreja de Denver, que pediu ajuda a membros da comunidade para reformar uma casa e transformá-la no centro de atendimento.

Só em 2006 conseguiram se mudar para a casa atual, mais espaçosa. Eles se mantêm com doações, dinheiro de fundações e com a força de médicos que topam ser voluntários na Tepeyac. Ou seja, sociedade se mobilizou para resolver os problemas. Problemas estes que atingem muitas pessoas que nem irão votar nas eleições presidenciais de novembro, mas estão mantendo viva a economia americana.

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