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Atualizado às: 02 de abril, 2008 - 17h10 GMT (14h10 Brasília)
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Presidente do Fed admite possível recessão nos EUA
Ben Bernanke (fotografia de arquivo)
Bernanke admitiu 'leve contração' no PIB do primeiro semestre
O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Ben Bernanke, admitiu nesta quarta-feira que os Estados Unidos podem ter uma queda no crescimento econômico no primeiro semestre, o que, na prática, significaria uma recessão na maior economia mundial.

"Parece provável que o Produto Interno Bruto (PIB) não vá crescer muito, se crescer, na primeira metade de 2008 e pode até ter uma leve contração", afirmou Bernanke, em um discurso no Congresso.

Embora Bernanke não tenha usado o termo, a confirmação de um segundo trimestre consecutivo de queda do PIB configuraria uma recessão.

O presidente do Fed está no primeiro de dois dias de depoimentos no Congresso, onde falou, entre outras coisas, sobre a operação de resgate do banco de investimentos Bear Stearns, que quase entrou em colapso em meio à crise imobiliária americana por causa da sua grande exposição a hipotecas de alto risco.

Bernanke disse não acreditar que a situação do Bearn Stearns se repita.

Mercados

Após um dia de oscilações, as bolsas americanas fecharam em ligeira baixa. O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,36%, e o Nasdaq, com queda de 0,06%.

Na terça-feira, o índice Dow Jones havia fechado na maior alta do mês – 3,2%, um ganho de 391 pontos, para 12.654, refletindo o anúncio na véspera pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, de planos de reformar o sistema financeiro nos Estados Unidos.

Os investidores viram com bons olhos a proposta de dar mais poder ao Fed para que a instituição desempenhe um papel estabilizador maior em momentos de incerteza.

Além disso, bancos anunciaram o que se acredita serem perdas finais com a crise do crédito imobiliário e que, segundo analistas, dão ares de epílogo à tempestade.

Europa

Os principais mercados da Europa registram alta nesta quarta-feira, seguindo um dia de indicadores positivos também na Ásia, com fortes altas nas principais bolsas da região.

O índice FTSE, da Bolsa de Londres, fechou em alta de 1,08%, o CAC, de Paris, subiu 0,94 e o DAX, de Frankfurt, registrou alta de 0,85%.

Na Ásia, os mercados fecharam o dia em alta, ainda sob efeito dos ganhos de terça-feira em Wall Street.

O índice Hang Seng, de Hong Kong, fechou em alta de mais de 734 pontos, ou 3,18%, enquanto o SSE 50, de Xangai - que lista as 50 ações mais negociadas da bolsa - encerrou o dia com 1,15% no positivo.

Outros mercados da Ásia também registraram bons resultados. O Nikkei 225, de Tóquio, terminou com ganhos de 4,21% e o Composite, de Seul, registrou ganhos de 2,35%.

"Os investidores estão se dando conta de que países emergentes são capazes de se desatrelar da economia americana", disse à BBC Brasil Manesh Samanti, vice-presidente da corretora KGI, que negocia papéis na bolsa de Hong Kong.

"O mercado está percebendo que, mesmo se as exportações para os Estados Unidos diminuírem, emergentes como a Rússia, países do Leste Europeu e até os próprios mercados domésticos terão a capacidade de absorver a produção da Ásia", argumenta Manesh.

*Colaborou Marina Wentzel, de Hong Kong.

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