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Atualizado às: 02 de abril, 2008 - 21h14 GMT (18h14 Brasília)
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Pesquisadores criam 1º embrião híbrido britânico

Embriões híbridos
Cientistas dizem que embriões híbridos são 99% humanos
Uma equipe de cientistas da Universidade de Newcastle, na Grã-Bretanha, foi a primeira do país a criar um embrião híbrido depois que o processo foi aprovado, no ano passado, pelo órgão que regula o setor no país.

Os pesquisadores inseriram material genético retirado de células humanas no óvulo de uma vaca cujo material genético havia sido previamente removido.

Os embriões sobreviveram até três dias e fazem parte de uma pesquisa que pretende retirar as células-tronco para utilizá-las na pesquisa sobre doenças conhecidas por suas causas genéticas, como o mal de Parkinson.

Segundo John Burn, da equipe responsável pela pesquisa, o próximo passo é fazer com que os embriões sobrevivam pelo menos seis dias – período necessário para a formação das células-tronco.

De acordo com Burn, há necessidade de usar óvulos bovinos já que os humanos estariam em falta com freqüência nas clínicas e nem sempre são de boa qualidade para as pesquisas.

Burn ressalta ainda que os embriões híbridos serão utilizados apenas na pesquisa e sua sobrevivência não será permitida além de 14 dias, quando ainda são do tamanho de uma cabeça de alfinete.

Permissão

A criação dos embriões híbridos foi autorizada pela Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) em setembro de 2007.

Antes da permissão (que se aplica apenas à equipe de Newcastle e a uma outra do King’s College, de Londres), os cientistas podiam usar apenas óvulos humanos deixados em clínicas, sobras de tratamentos de fertilização.

O processo de criação dos embriões híbridos provocou reações calorosas de várias instituições no Reino Unido.

A Igreja Católica, por exemplo, classificou o processo como monstruoso e imoral. Um cardeal chegou a chamar a pesquisa de "experimentos ao estilo Frankenstein".

Apesar das críticas, a equipe de pesquisadores argumenta que o trabalho é totalmente ético.

"O trabalho é licenciado e foi avaliado com atenção", afirmou Burn. "Trata-se de um processo de laboratório e estamos lidando com células que jamais irão se desenvolver, e esses embriões nunca serão implantados em ninguém."

Legislação

A autorização do órgão regulador precede a votação de uma lei no Parlamento britânico, agendada para o próximo mês, que vai decidir se a criação dos embriões híbridos para fins de pesquisa será ou não permitida no país.

O projeto de lei para a nova legislação é considerado extremamente polêmico. Na semana passada, o primeiro-ministro Gordon Brown permitiu liberdade de voto aos parlamentares no caso.

"É difícil imaginar uma lei que ataque de forma tão acentuada a santidade e a dignidade da vida humana como esta em particular", disse o cardeal Keith O'Brien, arcebispo de St. Andrews e Edimburgo, na semana passada.

Esta não é a primeira vez que os desenvolvimentos científicos precederam as discussões legislativas na Grã-Bretanha.

Para os defensores da pesquisa com embriões, a pesquisa é um passo pequeno, mas importante. Para os oponentes, é um passo que vai longe demais.

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