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Atualizado às: 31 de março, 2008 - 22h04 GMT (19h04 Brasília)
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Capitão acusado de tortura se cala diante de juiz na Argentina

Cavallo, ao ser extraditado do México, onde foi preso, pela Espanha (arquivo)
Cavallo é acusado de crimes como tortura, roubo e falsificação de documentos
O ex-capitão da Marinha argentina Ricardo Miguel Cavallo, que chegou a Buenos Aires nesta segunda-feira após ser extraditado pela Espanha, negou-se a responder às perguntas do juiz federal Sérgio Torres sobre crimes que teria cometido durante o regime militar no país (1976-1983).

Torres o questionou sobre o roubo de bens de desaparecidos políticos e outras vítimas do período militar. Cavallo foi extraditado pela justiça espanhola a pedido do juiz argentino.

Com um jaleco à prova de balas e cercado por forte esquema de segurança da Interpol e da Polícia Federal, ele também se recusou a fazer qualquer declaração à imprensa.

A investigação liderada pelo juiz Torres, que envolve Cavallo, faz parte da chamada megacausa da ESMA (Escola de Mecânica da Armada), onde se estima que mais de quatro mil pessoas tenham sido torturadas.

17 mil anos de prisão

Segundo o jornal Clarín, a promotoria espanhola chegou a pedir para ele 17 mil anos de prisão pela suposta participação no "desaparecimento forçado" de 227 pessoas, além de outros 126 seqüestros (dos quais 16 mulheres grávidas) e torturas contra 21 vítimas da repressão – crimes cometidos na ESMA.

Cavallo atuou na ESMA com o apelido de “Sérpico” e foi colega de promoção de outro ex-integrante da Marinha argentina, Alfredo Astíz, que se infiltrou no grupo “Mães da Praça de Maio”, formado por mulheres que buscavam seus filhos, seqüestrados na ditadura.

Por decisão de Kirchner, a ESMA deixou de ser uma escola naval e passará a ser administrada por entidades de direitos humanos.

Cavallo foi reconhecido por suas vítimas e preso em 2000, no México, onde trabalhava como diretor de Registro Nacional de Veículos do país. Três anos mais tarde, ele foi extraditado à Espanha, onde o juiz espanhol Baltasar Garzón investigava os crimes da ditadura na Argentina e no Chile, durante os anos 70 e 80, que envolviam familiares de espanhóis.

Naquela época, estavam em vigor na Argentina as chamadas “leis do perdão” e por isso as investigações estavam paralisadas. Estas leis foram revogadas durante o governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007).

O juiz Torres acusa Cavallo de outros crimes, como tortura, roubo e falsificação de documentos, mas como o caso foi aberto na Espanha, ele deve esperar definição da Justiça espanhola. Por isso, correu contra o relógio para não perder o prazo para pedir a extradição. O juiz terá seis meses, prorrogáveis por mais seis, para manter Cavallo no país, enquanto o investiga.

Segundo a emissora de televisão Telefe, de Buenos Aires, o acusado foi transferido para uma prisão, depois que se negou a se declarar no tribunal de justiça de Comodoro Py, no centro da cidade.

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