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Atualizado às: 19 de março, 2008 - 21h41 GMT (18h41 Brasília)
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Brasil pedirá que Espanha seja mais 'flexível'

Itamaraty reclamará do tratamento recebido por brasileiros
O governo brasileiro vai pedir à Espanha maior flexibilidade e tolerância na aplicação das regras de entrada de estrangeiros no país e a abertura de um canal de comunicação mais direto entre as autoridades de imigração do país e o consulado brasileiro.

A reunião para discutir o assunto será na Espanha, com representantes do Itamaraty e do Ministério da Justiça, mas a data ainda não está confirmada. O Itamaraty tenta marcar o encontro para a próxima semana, mas pode ter que esperar a formalização do novo governo espanhol, em abril.

O diretor do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior no Itamaraty, ministro Eduardo Gradilone, disse que as autoridades de imigração no aeroporto da Madri estão sendo muito rígidas na aplicação das regras de entrada de estrangeiros, que são as mesmas para toda a Europa continental.

"Não é assim que as normas estão sendo cumpridas em outros países", disse Gradilone em entrevista à BBC Brasil. "A Espanha tem sido excessivamente rígida."

Desconforto

O grande número de brasileiros barrados na Espanha foi um dos assuntos na reunião desta quarta-feira entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, em Brasília.

Lula disse a Durão Barroso que os problemas com a entrada de brasileiros causam "desconforto" ao governo e são prejudiciais à imagem da Europa no Brasil, já que o continente passa a imagem de intolerante.

O Itamaraty reclama também de falta de sensibilidade dos agentes de imigração em casos como o dos estudantes que tiveram a entrada negada quando estavam em conexão para Lisboa, quando o cônsul brasileiro confirmou a veracidade das informações.

Gradilone diz que os critérios de permissão de entrada para turistas incluem reserva de hotel e quantidade mínima de dinheiro em efetivo, mas que entende que é preciso ser mais flexível quando o viajante não cumpre apenas um dos critérios.

"Não deveriam se fixar só em um critério. São recomendações, mas não devem ser obedecidos rigidamente", afirmou. "Está faltando um pouco de consideração ao viajante, que muitas vezes fica privado de seus bens, e às vezes fica vários dias esperando o vôo de volta."

As condições em que os visitantes aguardam no aeroporto enquanto o caso é decidido e a demora no envio de volta para o país de origem é a principal reclamação do governo brasileiro.

Gradilone diz que a Espanha não é o único país que recusa uma grande quantidade de brasileiros. Ele afirma que o número de impedidos de entrar na Grã-Bretanha, na Irlanda e em Portugal também é grande.

Um levantamento do Itamaraty junto aos consulados aponta, segundo Gradilone, que o número de brasileiros barrados é equivalente aos de outras nacionalidades e também é equivalente em relação ao número de brasileiros que viajam.

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