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Paulistana troca faxinas por prostituição

Anúncios de prostituição. Foto: Wire.
Ela chega a receber o equivalente a R$ 4 mil por noite.
A paulistana Valentina*, de 24 anos, não se orgulha do que faz em Roma para ajudar a família e juntar dinheiro no Brasil. No entanto, considera a prostituição um trabalho como outro qualquer, com a diferença de ser muito mais rentável que outros desempenhados por brasileiras na Itália.

Há três anos, ela decidiu que não queria mais, como descreve, sentir-se sempre cansada, cheirar a desinfetante, ter as unhas quebradas e pouco dinheiro no bolso, limpando casas por oito euros – pouco mais de R$ 20 – a hora.

"Já no primeiro emprego que arrumei, meu patrão ficou se insinuando, prometendo jóias e outros presentes se eu ficasse com ele. O homem era casado e decidi cair fora. Mas passei pela mesma situação outras vezes", contou à BBC Brasil.

Sem tempo para se divertir, fazer academia de ginástica e comprar roupas novas, resolveu seguir o conselho de algumas amigas. Abandonou as faxinas para entrar no mundo dos programas de luxo na capital italiana.

"Pintei os cabelos de loiro, comprei roupas mais sensuais, fiz fotos de biquíni e montei uma página na Internet. Foi assim que tudo começou", disse a paulistana, que mora em Roma há pouco mais de quatro anos.

"No início, trabalhei na casa de um ítalo-argentino com outras quatro brasileiras, até que consegui alugar um apartamento só para mim no centro histórico da cidade".

Hoje, Valentina conta a propaganda feita por seus clientes entre conhecidos e faz os programas sempre agendados por meio de três números de telefones celulares.

Inscrita em uma escola de italiano – que freqüenta esporadicamente –, seguindo recomendação de um cliente, ela conseguiu a documentação de estudante para permanecer no país.

Entre seus clientes, estão empresários, atores, jogadores de futebol, políticos e estudantes, que são atendidos das 12h às 20h e pagam entre 100 e 300 euros (cerca de R$ 270 e R$ 810) por programa. Fora desses horários, ela cobra muito mais. O atendimento em domicílio é o dobro do preço.

O faturamento depende da quantidade de programas que faz. De acordo com ela, não é muito difícil ganhar 1,5 mil euros por dia (cerca de R$ 4 mil). Certa vez, ela conseguiu ganhar quase 30 mil euros (cerca de R$ 80 mil) em um mês.

"Eles pedem para ouvir bossa-nova, querem que eu dance samba e que fale palavrões em português", disse. "Eu não me importo, fico amiga deles, dou muitas risadas. Tenho clientes que me visitam todas as semanas. A única coisa que não faço é trabalhar de graça. Nunca deixo de cobrar."

Mas nem todas as prostitutas brasileiras na Itália são altas, exuberantes e têm a mesma sorte de Valentina. A maioria não consegue faturar o mesmo ou trabalhar de maneira independente.

Chegam a Roma, a Milão, ou a qualquer outra cidade italiana devendo mais de 3 mil euros (cerca de R$ 8 mil) para amigos ou agenciadores, que oferecem os recursos para viajar, como passaporte, passagem, dinheiro para o ingresso no país, recepção e hospedagem.

Quase todas são exploradas por um ou mais gigolôs –que ficam com o maior percentual dos rendimentos –, trabalhando em clubes ou apartamentos, e ganhando menos de a metade daquelas que trabalham de forma independente.

"Esse é um fenômeno bem conhecido no país, difundido nas grandes e também nas pequenas cidades", disse à BBC Brasil Domenico Condello, diretor de um comissariado da polícia no centro de Roma, que, recentemente, desmantelou uma quadrilha que explorava prostitutas brasileiras.

Segundo a antropóloga Adriana Piscitelli, que estudou o fenômeno da prostituição de brasileiras em alguns países europeus, a maioria das prostitutas faz isso porque quer.

Muitas das que entrevistou enviavam dinheiro para o Brasil, onde estavam comprando imóveis ou terrenos.

"Elas não amam a profissão, mas dizem que a Europa ofereceu melhores condições de vida e boas oportunidades econômicas para quem tem nível de escolaridade baixo."

De acordo com a antropóloga, a motivação dessas mulheres para ir à Itália é sempre econômica, e o mesmo ocorre na Espanha e em Portugal.

*Nome fictício

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