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Tibetanos ateam fogo em lojas em protesto contra China | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Tropas chinesas entraram em confronto com manifestantes no Tibet nesta sexta-feira durante protestos separatistas, liderados por monges, na capital da Província, Lhasa. Há informações ainda não confirmadas pela BBC de que algumas pessoas teriam morrido durante os choques. As agências de notícias Reuters e France Presse disseram, citando informações da rádio Free Asia (financiada pelo governo americano) que duas pessoas morreram. A France Presse também citou informações fornecidas por um centro de atendimento de emergência na cidade, que confirmou que houve mortes. Testemunhas disseram ao serviço mundial da BBC que ouviram tiros e viram pessoas depredando lojas e ateando fogo em carros, tentando atingir alvos que representassem a influência chinesa na região. A imprensa oficial confirmou que há feridos, mas não divulgou números. Mais cedo, organizações não governamentais disseram que tropas do governo haviam fechado os três maiores mosteiros budistas. Os protestos no Tibet começaram há quatro dias. Os manifestantes, na maioria monges budistas, são contra a dominação do governo chinês, que anexou o Tibet ao seu território na década de 50. Mosteiros fechados A organização não governamental americana International Campaign for Tibet disse que tropas do governo chinês cercaram os três maiores monastérios de Lhasa. Testemunhas da ONG contaram que os monastérios de Drepung e Será foram isolados na quinta-feira e que um terceiro centro religioso, Canden, foi cercado por tropas nesta sexta. A ação militar vem após protestos pró-independência que tiveram início no começo da semana. Na quinta-feira o governo da China reconheceu que protestos estavam ocorrendo, mas anunciou que a situação já estava estabilizada. Maiores ONGs a favor da independência do Tibet disseram que os protestos dos últimos dias foram os maiores das últimas duas décadas e ocorreram não apenas em Lhasa, como mas também em áreas rurais. Mas confirmar as declarações da ONG e do governo é difícil, pois o partido comunista controla fortemente o acesso ao Tibet e limita o trabalho da imprensa. Os protestos tiveram início na segunda-feira, dia que marcou o 49º aniversário de um levante tibetano contra a dominação chinesa. Números não confirmados por fontes oficiais sugerem que 600 monges dos monastérios de Drepung e Será participaram de protestos pacifistas na terça-feira, quando a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Também há informações extra-oficiais de que vários monges de Será estão em greve de fome e dois estariam em condições graves depois de ter tentado cometer suicídio. Na quinta-feira, autoridades chinesas tentaram diminuir a importância dos protestos, que coincidiram com manifestações semelhantes na Índia e no Nepal. "Alguns monges causaram um pouco de perturbação", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores Qin Gan, "mas graças aos esforços do governo local e da administração democrática a situação foi controlada". Pequim controla o Tibet desde a década de 50 e argumenta que dá liberdade à região, que é considerada autônoma. Mas o governo da China se opõe fortemente às tentativas do líder budista exilado Dalai Lama de promover a independência da província. Uma eventual intensificação dos confrontos relacionados à soberania do Tibet poderia resultar no uso drástico de força contra a população local, o que seria um sério incômodo para a imagem da China às vésperas dos Jogos Olímpicos. Com informações de Marina Wentzel, de Hong Kong para a BBC Brasil |
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