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Atualizado às: 12 de março, 2008 - 09h36 GMT (06h36 Brasília)
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Brasília, 'obra-prima de Niemeyer', está fora de controle, diz 'Guardian'
Catedral de Brasília
A catedral é um dos prédios icônicos projetados por Niemeyer
Problemas como o excesso de população, tráfego e criminalidade estão afetando a “capital futurística” de Brasília, segundo disse o arquiteto Oscar Niemeyer em entrevista ao jornal britânico The Guardian publicada em página inteira nesta quarta-feira.

Segundo o jornal, Brasília foi criada como uma “utopia”. “Revelada há quase meio século, Brasília impressionou o mundo. A capital planejada do Brasil, com grade de ruas perfeita e edifícios de vanguarda transpira admiração e otimismo, controle e beleza”, diz a reportagem.

Mas o jornal afirma que, “ao se aproximar de seu 50º aniversário, o futuro parece ter emboscado Brasília”.

“O que era para ser uma cidade lustrosa, com grande atenção para detalhes e organização, se degradou, em alguns locais, em uma expansão de engarrafamentos cacofônicos violentos e cheios de crimes.”

Segundo o jornal, “este é o veredicto amargo de Oscar Niemeyer”, que disse ao Guardian que sua “obra-prima está fora de controle”.

O jornal afirma que Niemeyer culpa o crescimento desordenado pelos problemas da capital.

“Em vez dos 500 mil habitantes previstos imaginados pelos criadores de Brasília, a população da cidade inchou para 2,2 milhões, enforcando a infra-estrutura e, nos empobrecidos subúrbios, mostrando cenas de violência de gangues mais comumente associadas às favelas do Rio de Janeiro. Algumas áreas foram apelidadas de Baixada Federal, em referência à Baixada Fluminense, a região do Rio com maior número de homicídios.”

O Guardian destaca que o problema do crescimento desordenado é irônico, já que Brasília foi construída em velocidade rápida, inaugurada apenas 41 meses depois de iniciadas as construções.

“Zonas comerciais e residenciais foram meticulosamente demarcadas. Carros flanavam em largas estradas, passando por edifícios que projetavam simplicidade e modernidade com finas linhas e curvas.”

“Menos finas foram as subseqüentes ondas de migração e filas de desempregados. O aumento da população agravou problemas de acesso aos serviços de saúde e educação.”

Segundo o jornal, um estudo recente da Universidade de Brasília mostrou que o desemprego entre os jovens da cidade aumentou de 21% em 1992 para cerca de 40% em 2003. “Ainda mais dramático foi o aumento da criminalidade, especialmente nos arredores.”

A reportagem descreve a violência dos subúrbios, mas afirma que “apesar das desilusões, o sonho utópico de Brasília não está completamente morto. Os moradores dizem que nunca se cansam de mirar a arquitetura sublime, de outro mundo, do centro da cidade. Os pais afirmam que ainda permanece um lugar mais seguro para criar os filhos do que o Rio ou São Paulo”.

E de acordo com o Guardian, Niemeyer fala da capital como um pai orgulhoso fala de um filho desobediente, porém amado.

“Não há outro lugar como ela (Brasília). É monumental. As curvas daqueles edifícios são como as de uma bela mulher”, disse o arquiteto ao jornal britânico.

Oscar NiemeyerFinancial Times
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