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Atualizado às: 24 de março, 2008 - 08h52 GMT (05h52 Brasília)
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Filho de imigrante enfrenta barreiras para ascensão social

Laura Damasceno com o seu filho Vinny (arquivo pessoal)
Chance de ascensão dependeria de acesso à universidade
Viviane de Assis, de 21 anos, chegou aos Estados Unidos aos 15 e até pouco tempo atrás fazia faxina, como a mãe, embora, diferentemente dela, domine o inglês e se sinta mais adaptada ao estilo de vida americano.

"Estou ganhando US$ 7 por hora com os descontos e tenho mais oportunidades. Com faxina, eu ganhava US$ 9, mas os americanos não dão valor. Nunca gostei", diz Viviane que, há três meses, conseguiu emprego de atendente em um restaurante.

A paulista de Jundiaí que mora em Medford, Massachusetts, tem uma história semelhante à dos jovens entrevistados pela socióloga Teresa Sales em um estudo sobre a chamada "segunda geração de imigrantes".

"Eles são submetidos a um estímulo muito maior da sociedade americana porque são estudantes. Têm o domínio do inglês, passam grande parte do dia dentro da escola, interagindo com outros migrantes e com os próprios americanos", disse à BBC Brasil Teresa, pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco e uma das principais referências no Brasil sobre o tema.

No entanto, por fazerem parte de um fluxo migratório relativamente recente e por freqüentemente estarem em situação irregular, eles ainda ocupam funções menos qualificadas, principalmente no setor de serviços, em empregos de baixa remuneração e reduzidas oportunidades de ascensão profissional.

Brasileiros no Exterior
EUA: 1,5 milhão (450 mil legalizados)
Paraguai: 500 mil
Japão: 350 mil
Inglaterra: 180 mil
Portugal: 130 mil
Itália: 120 mil
Espanha: 115 mil
França: 80 mil
Alemanha: 70 mil
Suíça: 55 mil
Uruguai: 50 mil
Argentina: 40 mil
Canadá: 20 mil
Bélgica: 45 mil
Estimativas do Itamaraty (2006)

São, no geral, estudantes que trabalham mais do que a média dos jovens americanos e até mesmo de outros imigrantes, disse Teresa, que fez o seu estudo em 2000 com a comunidade brasileira de Boston, pioneira no fluxo migratório iniciado na década de 80.

"Os jovens americanos trabalham, como é tradição, mas dentro de muitas restrições: só no período de férias e dentro de horários específicos. No caso dos brasileiros, a legislação é menos obedecida. Trabalham mais horas por dia e durante todo o ano", explicou a pesquisadora.

Universidade

A oportunidade de passar para empregos mais qualificados está em uma formação universitária, mas, para frustração desses estudantes, a condição de ilegal praticamente os impede de fazer uma faculdade porque uma lei federal desestimula os Estados a cobrar preços locais para imigrantes ilegais.

A alternativa seria pagar as tarifas para estrangeiros, muito mais altas do que as cobradas de americanos.

"Fui olhar uma faculdade, teria de pagar US$ 1000 por mês (como estrangeira). Em quatro anos, seriam US$ 48 mil. Com o papel (documento), eles ajudam, dão empréstimos que você pode pagar em 30 anos", disse Viviane, que gostaria de estudar design de interiores.

Teresa Sales (arquivo pessoal)
Para Teresa Sales, 'Brazilian-americans' só na próxima geração

Para a líder comunitária Heloísa Galvão, presidente do Grupo Mulher Brasileira, também em Boston, a dificuldade de acesso à universidade é uma das principais barreiras para a ascensão social dos jovens imigrantes brasileiros que estão em situação irregular nos Estados Unidos.

"Eles entram no segundo grau e, de repente, começam a perceber que não vão a lugar nenhum, que nunca vão deixar de lavar prato, nunca vão deixar de fazer o que os pais estão fazendo."

Mas a socióloga Teresa Sales disse acreditar que as chances de integração e de ascensão social da comunidade brasileira tendem a melhorar quando aumentar o número de filhos de imigrantes brasileiros nascidos nos Estados Unidos.

"A tendência é que (a dificuldade de ascensão) seja superada quando a segunda geração de fato, ou seja, aqueles que nascerem lá, começarem a se tornar predominantes. Até os que são ilegais vão ter filhos que serão (cidadãos) americanos", disse Sales.

Quando isso ocorrer, segundo a pesquisadora, poderá surgir a figura do Brazilian-American, a exemplo de comunidades que combinam a identidade do país de origem dos pais com a do país onde foram criados. É o caso dos Italian-Americans ou Cuban-Americans, entre outros grupos estabelecidos há mais tempo em solo americano.

A socióloga ressalta que, em todas as comunidades imigrantes, a inserção no mercado de trabalho só começa a acontecer de fato na segunda ou terceira geração.

Sem papel, Vagner não pode ir à universidade, como o irmão
Sem papel, Vagner não pode ir à universidade, como o irmão

"Foi assim que aconteceu com os italianos e libaneses que hoje fazem parte da elite paulistana, por exemplo".

"Todos os imigrantes começam de baixo, não é demérito algum aos brasileiros, é comum aos fluxos migratórios. Os italianos demoraram uma geração para se organizarem (nos EUA), os brasileiros, mal chegaram, já estão se organizando."

O Itamaraty estima que 1,5 milhão de brasileiros vivam hoje nos Estados Unidos. Desse total, menos de um terço - ou cerca de 450 mil - estariam legalizados.

A família de Laura Damasceno, que trabalha como manicure na região de Boston, é um retrato da diferença de oportunidades entre os que são legalizados e os que "não têm papel".

Dos três filhos que vivem com ela nos Estados Unidos, os dois mais novos são legalizados porque nasceram do seu casamento com um cidadão americano, mas o mais velho permanece ilegal no país.

Enquanto o irmão Vinny, de 19 anos, se prepara para estudar Relações Internacionais em uma universidade, Vagner, de 23, trabalha em uma lanchonete, embora a sua real vocação sejam os computadores.

"É muito frustrante, o meu objetivo era que ele estudasse."

Laura conta que é difícil também para o próprio Vagner, "principalmente agora que ele está vendo o irmão ir para a universidade".

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