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Kosovo declara independência da Sérvia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Parlamento de Kosovo aprovou a declaração da independência da província sérvia feita pelo primeiro-ministro Hashim Thaci durante uma sessão especial neste domingo, na capital Pristina. A sessão contou com a presença de 104 parlamentares. Durante a sessão, o premiê Hashim Thaci afirmou que "muitas pessoas se sacrificaram para que a independência se tornasse realidade e esperamos por este dia durante muito tempo". "Kosovo é independente, soberano e livre", disse Thaci. "Hoje nós estamos entre as nações livres do mundo". Ele garantiu que o país irá obedecer aos preceitos da ONU (Organização das Nações Unidas) e das leis internacionais e pediu o reconhecimento da comunidade internacional. O premiê afirmou ainda que a nova república terá boas relações com a Sérvia. Thaci assegurou que os direitos da minoria sérvia serão respeitados com a independência. "Todas as comunidades terão um papel importante na construção da nação, não há lugar para medo e discriminação em Kosovo. Qualquer ato de discriminação, principalmente contra as minorias, será removido das nossas instituições e do nosso Estado". Comemoração e revolta Milhares de kosovares saíram às ruas para comemorar o anúncio da independência do país. O governo preparou shows para a população e oito toneladas de fogos de artifício serão usadas nas celebrações. Thaci vinha dando indicações de que a independência seria declarada neste final de semana e milhares de kosovares de origem albanesa já comemoravam a decisão desde a madrugada. Entre os sérvios, a notícia foi recebida com revolta. Horas após o anúncio da independência, mais de mil manifestantes lançaram pedras contra a embaixada americana na capital sérvia, Belgrado. A multidão gritava que o Kosovo é "o coração da Sérvia". Há relatos de que alguns policiais tenham ficado feridos.
Há alguns dias, o governo americano já havia sinalizado que apoiaria a decisão do governo kosovar em relação à independência. ONU Horas após a declaração de independência, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma sessão de emergência a pedido da Rússia. O objetivo da Rússia era convencer os membros do Conselho a anularem a decisão do Parlamento kosovar. O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse aos jornalistas que a resolução de 1999 que prevê a administração da província pelas Nações Unidas ainda é válida e, portanto, a independência não é respaldada pela lei. Após a sessão extraordinária, o representante britânico John Sawers disse, no entanto que nenhum dos membros apoiou a iniciativa russa. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu às partes envolvidas que contenham qualquer manifestação de violência. Ele disse que o enviado especial da ONU a Kosovo lhe deu garantias de que a província independente não perseguiria a minoria sérvia. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir novamente nesta segunda-feira para outra sessão de emergência, que deverá contar com a participação do presidente sérvio Boris Tadic. Opositores Quando assumiu o poder, em dezembro passado, primeiro-ministro Hashim Thaci, ex-guerrilheiro que lutou contra a Sérvia entre 1998 e 1999, afirmou que a independência da província seria uma das primeiras medidas do seu governo. Os governos da Sérvia e da Rússia já haviam afirmado que não reconheceriam a independência de Kosovo. No juramento de posse para o segundo mandato no cargo, o presidente eleito da Sérvia, Boris Tadic, prometeu nunca desistir da luta pela província, considerada o coração religioso e cultural do país. A declaração foi reforçada por outra, do primeiro-ministro Vojislav Kostunica. Ele pediu aos sérvios que vivem em Kosovo que não abandonem o território e disse que eles têm o direito de ignorar qualquer proclamação de independência. O presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que seria ilegal e imoral a comunidade internacional reconhecer a independência da província. Além da Rússia e da Sérvia, a Bósnia-Herzegovina e Montenegro também são contra a independência. Bálcãs A população dos Bálcãs está acompanhando de perto os eventos no Kosovo e as consequências que a independência da província poderá trazer para a região. A Albânia e a Eslovênia devem ser os primeiros países a reconhecerem a independência. Já a Macedônia e a Bósnia devem hesitar em reconhecer a ruptura, pois também sofrem com problemas de separatismo étnico. |
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