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Rio nunca esteve tão perigoso para repórteres, diz 'Guardian'
Imprensa
Em uma reportagem que inclui vídeo, áudio e fotogaleria publicada nesta sexta-feira em seu website, o jornal britânico The Guardian comenta a violência no Rio de Janeiro acompanhando o trabalho de um fotógrafo do jornal O Dia em sua cobertura da ação policial em favelas.

Com o título “Cidade das armas”, a reportagem comenta que o Rio de Janeiro nunca foi uma cidade tão perigosa para jornalistas que cobrem a criminalidade.

“Desde os anos 1980, os traficantes de drogas da cidade amealharam arsenal cada vez um mais poderoso para manter o controle das favelas onde estão baseados”, comenta o jornal.

“No início de 2007, o novo governo estadual lançou uma grande ofensiva contra as facções do tráfico, fazendo do ano passado um dos mais violentos já registrados. Em 12 meses, a polícia do Rio matou mais de 1.200 pessoas em confrontos, segundo dados oficiais, um recorde mesmo para os parâmetros violentos da cidade.”

Segundo a reportagem, com o aumento da violência aumentaram também os riscos para os jornalistas que cobrem esta violência.

“Vários repórteres caíram vítimas da violência nos últimos anos”, afirma a reportagem, que cita o caso de uma repórter da TV Bandeirantes, baleada enquanto cobria um tiroteio entre a polícia e traficantes em Botafogo, e ainda o caso do jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, assassinado depois de tentar filmar traficantes com uma câmera secreta.

“Hoje em dia quase todos os órgãos da imprensa carioca exigem que seus funcionários usem colete a prova de balas quando cobrem histórias em favelas. Vários grupos investiram em veículos blindados para proteger os funcionários.”

Neste ano, a polícia carioca deverá, pela primeira vez, oferecer treinamento de segurança para repórteres cobrindo a guerra do tráfico no Rio, diz o jornal.

O Guardian ainda comenta a história de Severino Silva, fotógrafo do jornal O Dia, que cobre conflitos em favelas e chegou a ficar preso em uma casa por dez horas durante um tiroteio.

“O fotógrafo brasileiro Severino Silva veste um colete a prova de balas todos os dias, mas ele não é um correspondente de guerra”, afirma o repórter. Severino conta que, quando ele chega ao local para cobrir uma história, a primeira coisa que ele pensa é: “Tenho que sair daqui vivo”.

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