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Atualizado às: 13 de fevereiro, 2008 - 10h00 GMT (08h00 Brasília)
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ONU quer aliança global contra tráfico humano
Tráfico humano
OIT estima que 2,4 milhões são vítimas do tráfico humano.
A Organização das Nações Unidas (ONU) deu início nesta quarta-feira à sua primeira grande conferência sobre tráfico humano com o objetivo de formar uma aliança internacional para combater o problema.

Segundo uma estimativa da OIT (Organização Mundial do Trabalho), cerca de 2,4 milhões de pessoas são vítimas do tráfico humano, que gera aproximadamente U$32 bilhões (R$56 bilhões) por ano - a terceira atividade criminosa mais lucrativa do mundo, segundo a organização.

A conferência, em Viena, na Áustria, que está sendo organizada pela Iniciativa Global das Nações Unidas contra o Tráfico Humano (UN.GIFT, na sigla em inglês), reunirá mais de mil representantes de pelo menos cem países para discutir a vulnerabilidade das vítimas, o impacto do tráfico e as ações que devem ser tomadas pelos governos, mídia, setor privado e pela comunidade internacional para combater e reprimir a prática.

Segundo a ONU, o tráfico atinge países ricos e em desenvolvimento e é "o crime escondido da globalização".

Dados da OIT indicam que a exploração sexual atinge 44% das vítimas do tráfico humano, enquanto 32% são traficadas para trabalho escravo e 25% para uma combinação dos dois.

Formas

"As provas sugerem que o problema é global, significativo e que está em crescimento", afirma Antonio Maria da Costa, diretor do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crimes (UNODC).

Segundo ele, o tráfico humano tem muitas formas. "São jovens do leste europeu sendo traficados para a Europa Ocidental e para América do Norte. São vilas e famílias inteiras em escravidão, trabalhando em plantações ou minas", cita Costa.

Ele afirmou ainda que espera que mais países ratifiquem o protocolo da ONU contra o tráfico humano e desenvolvam leis para combater o crime.

Brasil

Durante a conferência em Viena, o Ministério da Justiça brasileiro irá apresentar o Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (PNETP), aprovado em janeiro e que estabelece políticas para enfrentar o tráfico humanos no país.

Além disso, três palestrantes brasileiros participam de mesas redondas no evento. A jornalista Ana Paula Brasil irá falar sobre o papel da mídia, o ministro do Supremo Tribunal de Justiça, Gilson Langaro Dipp, participa de um debate sobre a cooperação internacional e Andrea Bolzon, representante da OIT no Brasil, irá mediar uma discussão sobre o papel do setor privado no tráfico.

O filme brasileiro Anjos do Sol e trechos da novela Belíssima, que retrata um caso de tráfico internacional de mulheres, serão exibidos durante o encontro.

Para Roger Plant, diretor do Programa de Ação Especial para o Combate ao Trabalho Forçado da OIT, "a conferência é uma oportunidade única para formar uma aliança contra o tráfico humano e eliminar o problema de uma vez por todas".

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