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Atualizado às: 31 de janeiro, 2008 - 14h59 GMT (12h59 Brasília)
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Para ONG, Putin e Jintao são 'déspotas mascarados de democratas'
Vladmir Putin, presidente da Rússia
Presidente russo foi criticado por reprimir imprensa
O relatório anual da organização Human Rights Watch sobre a situação global dos direitos humanos, divulgado nesta quinta-feira, critica a ação de governos que, segundo a entidade, defendem publicamente a democracia, mas agem de forma autoritária.

Segundo o documento, “déspotas” empregam a palavra “democracia” em seus discursos e utilizam seu conceito para “justificar suas ações”.

“Raramente a democracia foi tão aclamada e tão quebrada, tão promovida e ao mesmo tempo tão desrespeitada, tão importante e tão decepcionante”, escreve o diretor-executivo da ONG, Keneth Roth, no artigo de abertura do documento de mais de 500 páginas que faz uma avaliação da situação dos direitos humanos em 75 países.

No texto intitulado Déspotas mascarados de democratas, Roth diz que atualmente “poucos governos desejam ser vistos como não democráticos e até os ditadores mais escancarados aspiram ao status conferido pela etiqueta da democracia”.

A ONG destaca como exemplos os presidentes Pervez Musharraf, do Paquistão, o russo Vladmir Putin e o chinês Hu Jintao, entre outros.

“Num discurso do Partido Comunista chinês, em outubro de 2007, Hu Jintao usou a palavra “democracia” mais de 60 vezes ao dirigir-se a seus partidários”, cita o artigo.

“Mesmo assim, o presidente impede a existência de partidos políticos independentes, bloqueia esforços legais para promover direitos básicos e fecha várias organizações da sociedade civil, órgãos de comunicação e websites. E ainda não promove eleições nacionais”, afirma o autor.

Contradições

O artigo aponta contradições nos Estados Unidos, um país que se "destaca pelo nível de democracia", mas onde a situação dos direitos humanos está num patamar que “traz problemas para a administração Bush”.

“As discussões sobre direitos humanos levantam questões sobre Guantánamo, as prisões secretas da CIA, as comissões militares e suspensão de habeas corpus.”

O relatório ainda critica o discurso do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, para quem a imposição do estado de emergência, em novembro, foi uma demonstração de “democracia genuína”.

Musharraf justificou a imposição das restrições argumentando que “nós queremos democracia, nós queremos direitos humanos, queremos liberdades civis, mas faremos isso do nosso jeito”.

Restrições a imprensa

A Human Rights Watch ainda destaca o problema sofrido por órgãos de comunicação em alguns países onde o controle da mídia pelo governo reprime debates importantes em momentos cruciais para a democracia, como a realização de eleições.

“Um dos primeiros alvos do presidente russo Vladmir Putin foi a mídia independente. Atualmente as maiores redes de rádio e TV do país estão nas mãos do Kremlin”, cita o documento.

“Esse quadro de controle da mídia é umas das ferramentas mais importantes para garantir que a oposição não tenha a menor chance de ameaçar seu domínio político (Putin), seja nas eleições parlamentares de dezembro em 2007, seja no pleito presidencial marcado para de março de 2008”.

A ONG ainda cita a "arbitrariedade" do presidente venezuelano Hugo Chávez, que em 2007 recusou-se a renovar a concessão da rede RCTV, uma das quatro maiores televisões do país e "a única que havia ousado manter uma linha editorial contrária a Chávez".

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