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Atualizado às: 19 de janeiro, 2008 - 04h18 GMT (02h18 Brasília)
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Premiê peruano acusa Fujimori de 'seqüestro'

Alberto Fujimori
O ex-presidente enfrenta vários processos judiciais
O primeiro-ministro do Peru, Jorge del Castillo, acusou um esquadrão da morte paramilitar sob o controle do então presidente Alberto Fujimori de seqüestrá-lo e de tentar assassinar um outro político importante do país - o atual presidente, Alan García - em abril de 1992.

Castillo deu depoimento nesta sexta-feira no julgamento de Fujimori na capital, Lima, em que o ex-presidente responde a acusações de violação de direitos humanos.

Fujimori nega as acusações, dizendo que não tinha nenhum conhecimento das atividades do grupo paramilitar, denominado La Colina.

Fuga

Na noite de 5 de abril de 1992, Fujimori anunciou que estava assumindo o controle do país e fecharia o Parlamento e os tribunais, reforçando suas ordens com forte presença militar nas ruas da capital.

Castilho disse que nessa noite ajudou García a fugir antes da chegada dos paramilitares, quando ele mesmo acabou detido e mantido sob custódia militar por cinco dias.

García governou o Peru pela primeira vez no período 1985-90, e era um líder oposicionista quando do suposto incidente.

Castilho alegou ter visto uma cópia de um documento assinado pelo então chefe do Exército, Nicolas Hermoza, que dizia que Castilho e outros deveriam ser presos por ordens superiores.

"Eu achei que eles iriam me matar", disse Castilho ao tribunal. "Eles me bateram, eles me ameaçaram, eles me jogaram no chão e me disseram para ajoelhar. (...) Na época foi dito que eu estava desaparecido, mas na verdade eu tinha sido seqüestrado."

O advogado de defesa de Fujimori afirma que não há evidências de que ele ordenou qualquer detenção. Os representantes do ex-presidente tentam mostrar que ele estabeleceu regras para proteger os direitos humanos e que desconhecia o La Colina, responsável por dois massacres em meados dos anos 90.

Corrupção

Fujimori deixou o Peru em 2000 e fugiu para o Japão, em meio a acusações de corrupção.

Em novembro de 2005, foi para o Chile. Sua intenção era permanecer temporariamente no país até conseguir retornar ao Peru para disputar as eleições presidenciais de 2006. No entanto, foi detido ao desembarcar em Santiago, de onde foi extraditado para seu país.

Alguns peruanos acreditam ser injusto que Fujimori seja tratado como criminoso, já que, segundo eles, o ex-presidente transformou a economia e derrotou o Sendero Luminoso.

Outros alegam que ele usou o estado de emergência para justificar seu governo repressivo e roubou milhões de dólares do país.

Em dezembro, Fujimori foi condenado a seis anos de prisão e ao pagamento de uma multa do equivalente a cerca de R$ 240 mil por abuso de poder.

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