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Morales pede acordo nacional em reunião com governadores | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os governadores bolivianos que se opõem ao presidente Evo Morales pediram na noite desta segunda-feira que ele faça uma "revisão" das suas últimas medidas, como a nova Constituição do país e a redistribuição dos recursos gerados pelo Imposto Direto de Hidrocarbonetos (IDH). Morales, por sua vez, solicitou um "acordo nacional", onde se destaque o fim do racismo no país. A conversa pode simbolizar uma trégua – mesmo que temporária – entre Morales e os governadores, principalmente os dos Estados mais ricos da Bolívia. Nesta segunda-feira, Morales e os nove governadores da Bolívia tiveram a primeira reunião, após o enfrentamento público que viveram, no fim do ano passado. Na ocasião, os governadores dos Estados mais produtivos (como Santa Cruz de la Sierra e Tarija) lideraram protestos contra a nova Constituição nacional e lançaram proposta de Carta Magna alternativa à do governo central. Há cerca de 20 dias, enquanto Morales comemorava, em La Paz, junto às comunidades indígenas e estudantes, a promulgação da nova Constituição, moradores de Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija realizavam festa nas ruas para marcar o lançamento do texto próprio que seria enviado ao Congresso Nacional. A disputa levou Morales a convocar um referendo, sem data certa, para saber se a população ratifica ou não sua permanência e a dos governadores. "Trégua" Para analistas bolivianos, a reunião desta segunda-feira pode simbolizar uma "trégua" e a reabertura do diálogo, mas não se sabe como a tentativa de entendimento terminará. A nova divisão da Bolívia – tradicionalmente fragmentada política e socialmente – levou, na semana passada, diferentes entidades a assinarem um documento pedindo o entendimento entre as duas partes. Entre os que assinaram o documento destacavam-se a Assembléia Permanente de Direitos Humanos e a Confederação dos Trabalhadores da Imprensa, entre outros. Na carta, eles pediam que os dois lados "flexibilizem" suas posições para "criar um clima favorável" que permita o sucesso do encontro. Nesta mesma linha, o novo comandante das Forças Armadas, general Luís Trigo Antelo, pediu ao presidente para "ceder em alguns temas" no encontro desta segunda-feira. "O presidente nos pediu recomendações e com humildade lhe pedimos que participe deste diálogo e que se trate de sair de forma amigável deste conflito, escutando os governadores, negociando e cedendo em alguns temas", disse o militar, segundo a imprensa boliviana. Os argumentos dos que apóiam esse entendimento são os de que a economia da Bolívia está crescendo como nunca nos últimos 20 anos – apesar do fantasma da inflação - e que é hora de aproveitar a bonança para uma harmonia política. "Conciliadores" Na reunião desta segunda-feira, de acordo com a Agência Boliviana de Informação (ABI, agência oficial), os governadores da oposição foram mais conciliadores que nas semanas anteriores. Os governadores de Santa Cruz de la Sierra, Rubén Costas; de Cochabamba, Manfred Reys Villa; de Pando, Leopoldo Fernández; de Tarija, Mario Cossío; e de Beni, Ernesto Suárez, afirmaram que o corte determinado por Morales nos recursos do chamado IDH para pagamento de benefício a pessoas com mais de 60 anos prejudicará os projetos sociais de seus estados. "No entanto, os governadores reconheceram que a mesa de diálogo (instalada nesta segunda-feira) é o cenário para se analisar todas as possibilidades para uma saída dos problemas conjunturais do país", escreveu a ABI. Até o fim da noite de segunda-feira, a reunião ainda não tinha terminado. |
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