|
Levadinhos da breca | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O novo governo de Gordon Brown não é dos mais populares. Depois de mais de uma década do partido Labour no poder, pela primeira vez o partido Conservador leva chance nas próximas eleições. As iniciativas do novo governo, em tudo e por tudo, não têm sido recebidas entre palmas delirantes de entusiasmo. Algumas chegam a ser apupadas na rua e vaiadas no Parlamento, exagerando só um pouquinho. As almas mais caridosas, ou aquelas que simplesmente se limitam a votar no partido do governo, chamam de "controvertidas" algumas medidas que as mentes mais equilibradas se pudessem abateriam a tiros. Por falar em tiros... Bangue-bangue no jardim-de-infância O Departamento para Crianças, Escolas e Famílias, organização governamental que zela por aquilo que seu nome indica, acaba de se pronunciar a respeito de uma questão delicada, por assim dizer. Logo agora, para encerrar o ano, o órgão se manifestou dizendo que os meninos do jardim-de-infância deveriam ser encorajados a brincar com revólveres de brincadeira. Pelo menos, fizeram a concessão de dizer que eram de brincadeira. Não deram muita ênfase. Eu é que estou sublinhando. Segundo as autoridades educadoras, uma arma de fogo, mesmo de matéria plástica, é de grande utilidade acadêmica no desempenho escolar da petizada. À guisa de explicação, foi adiantado o dado de que os meninos entre os 3 e os 5 anos são deixados para atrás pelas meninas de seu grupo etário devido – sempre segundo o tal educativo departamento governamental – ao fato de que as equipes responsáveis pelos jardins-de-infância proíbem o uso de qualquer brincadeira que tenha no meio revólver, pistola, metralhadora, lança-chamas e foguetes inclusive, mesmo de mentirinha. Prosseguem os luminares conceituando um fato dos mais surpreendentes: dizem que "a garotada se interessaria mais em se instruir e melhoraria em muito seu aprendizado" – esse pisar com os dedos dos pezinhos no mundo dos mais velhos, aliás mais velhos e burros – se encorajada a brincar como e com o quê quiser. Uma generalização perigosa como uma mina plantada no campo de recreio infantil. Contra-ataque Por um golpe – Pam! exclamaria aquele guri com um pedaço de pau na mãozinha – por um golpe de sorte, ia eu dizendo, os professores não acharam sensacional a idéia. Os devidos sindicatos se referiram à medida, ainda em fase de mero (mero!) conselho, como profundamente controversa. Segundo os "fessores" e as "fessoras", as armas de fogo, mesmo de fingimento, são "símbolos de agressão". Reconforta-me notar a perspicaz percepção dos mestres deste país em relação a uma Kalashnikov ou Uzi, ainda que de matéria plástica, em mãos de uma garotada que ainda quase que engatinhando. Não pára aí a crítica dos educadores. Alegam que o governo, além do mais, está fazendo da garotada um estereótipo. Isso lá é hora de se preocupar com estereótipos? Estereótipo é o último dos problemas da espinhosa questão. Conclusão e sugestão Conforme resolução de ano novo, não assino coluna sem chegar a uma conclusão. Desta vez, em homenagem ao ano ainda de chupeta na boquinha, às vésperas dos exames escritos e orais para ingressar no seu prometido jardim-de-infância, concluo o seguinte: a turma que bolou essa história está fazendo bobagem e bobagem da grossa. Além do mais, fora do penico. Quanto à sugestão, é muito simples: no fim do ano letivo, espalhem entre a moçada – afinal nunca é cedo para se começar, confere? – licença especial para o porte de armas. Das pra valer. Que não brincam em serviço. Para cunhar uma expressão: Then the inana would begin. Daí começaria a inana. |
NOTÍCIAS RELACIONADAS Arte? Uma piada04 janeiro, 2008 | BBC Report Frases e resoluções de ano novo02 janeiro, 2008 | BBC Report Feliz ano... o quê mesmo?31 dezembro, 2007 | BBC Report Ano vai, ano vem28 dezembro, 2007 | BBC Report 'Feriz' Natal24 dezembro, 2007 | BBC Report Eu quero meu dinheiro!21 dezembro, 2007 | BBC Report Fantasmas de Natal19 dezembro, 2007 | BBC Report Leituras várias17 dezembro, 2007 | BBC Report | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||