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UE dá 'ultimato' aos EUA sobre metas de emissões em Bali | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Representantes da União Européia voltaram a pressionar os Estados Unidos nesta quinta-feira, durante a reunião das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, em Bali, na Indonésia, a aceitarem o estabelecimento de metas de redução de emissões de carbono para um futuro acordo que substitua o Protocolo de Kyoto. Os representantes do bloco europeu disseram considerar “sem sentido” participar da reunião proposta pelo governo americano com as maiores economias do mundo sem um acordo em Bali. O condicionamento da presença européia à reunião convocada pelos Estados Unidos serve como uma espécie de ultimato em meio ao impasse que ainda permanece nas negociações no penúltimo dia do encontro sobre o clima. "Se tivermos um fracasso em Bali, não vai fazer sentido acontecer essa reunião das principais economias. Sem um 'mapa do caminho', sem um destino, o encontro perde o sentido", afirmou Humberto Rosa, ministro do Meio Ambiente de Portugal, o país que atualmente ocupa a Presidência rotativa da União Européia. Os europeus defendem a adoção da meta recomendada pelo Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), que prevê cortes de 25% a 40% nas emissões dos países ricos até 2020. Novo Kyoto Para os americanos, no entanto, a inclusão dessas metas no chamado "mapa do caminho de Bali", como vem sendo apelidado o documento que deve ser produzido até sexta-feira na reunião da ONU, vai ter uma influência negativa nas discussões sobre o acordo para substituir o Protocolo de Kyoto, que vence em 2012. Os americanos têm o apoio do Canadá, do Japão e, possivelmente, da Austrália, que ainda não esclareceu a posição oficial sobre a questão. O consenso científico apresentado pelo IPCC indica que cortes de 25% a 40% são necessários para se manter a elevação da temperatura da Terra a menos de 2ºC. Acima disso, os cenários previstos pelos cientistas passam a ser catastróficos. Por isso, a União Européia considera vital que os números – que representam a opinião científica sobre o assunto – entrem na decisão final de Bali, para que se tenha uma idéia do rumo a ser seguido. "Chegou a hora de os Estados Unidos mostrarem liderança. Não só palavras, mas ações. Não podemos deixar a conferência esvanecer", disse o comissário da Comissão Européia, o grego Stavros Dimas, que defendeu um "mapa do caminho" suficientemente ambicioso para ser capaz de combater a mudança climática. Transferência de tecnologia De acordo com o ministro português Humberto Rosa, o impasse em torno das metas complica todas as negociações, já que os países em desenvolvimento já teriam demonstrado disposição em assumir compromissos de redução de emissões. No entanto, sem o exemplo dos países ricos, "o fardo recai sobre os países em desenvolvimento". Por outro lado, o secretário-executivo da reunião da ONU, Yvo de Boer, anunciou avanços no outro tema que parecia estar empacado em Bali: a transferência de tecnologia. Boer anunciou que os ministros decidiram pela criação de um novo programa estratégico, operado pelo Fundo Ambiental Global (GEF, na sigla em inglês). A idéia é que o GEF avalie as necessidades tecnológicas de cada país, para adaptação a tecnologias mais limpas, e a partir disso elabore projetos e linhas de crédito com verbas públicas e privadas para possibilitar a transferência de tecnologias que levem ao desenvolvimento limpo dos países mais pobres. |
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