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Iraniana escapa de enforcamento após estupro por irmãos | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma iraniana de 22 anos conseguiu escapar da condenação ao enforcamento após ter sido estuprada pelos próprios irmãos graças à atuação de uma ONG de defesa de direitos humanos. O crime ocorreu há quatro anos e Leila foi condenada por incesto, crime punido com morte no Irã. A jovem tinha apenas 9 anos quando a mãe começou a vendê-la para casas de prostituição. Quando se casou, o marido a oferecia a outros homens em troca de dinheiro. A história de Leila, contada no programa Crossing Continents da BBC, não é única no Irã, segundo a advogada Shadi Sadr, que a defendeu na Justiça. “Uma menina é considerada a principal mercadoria ou propriedade que pode ser trocada ou vendida nos olhos de pais pobres no Irã”, afirma. Presa Leila, que ainda tem dificuldades de falar sobre o passado, diz que a mãe a enganava para levar às casas de prostituição. “Ela me dizia que ia comprar algumas coisas, como chocolates. Eu era muito pequena, ela só me levava aos ‘lugares’”, afirma. Quando casou, a situação de Leila não mudou. Ele a vendia para até 15 homens todas as noites. Dois meses depois do casamento, a polícia invadiu a casa e prendeu todos, inclusive a jovem. O marido foi condenado a cinco anos de prisão por fornecer sexo ilegal. Durante a investigação, os irmãos de Leila confessaram terem estuprado a irmã. Eles foram condenados a chibatadas e Leila acusada de incesto. Só quando estava detida em uma prisão de mulheres, foi informada da sentença de enforcamento. Justiça Para Shadi Sadr, o sistema jurídico do Irã é conservador e injusto. “Os juízes não são treinados para penas relacionadas a sexo. Eles têm um ponto de vista chauvinista e sempre vêem as mulheres como culpadas”, afirma. Shadi fez um apelo à Justiça no caso de Leila quando os irmãos retiraram a confissão. Segundo ela, as campanhas freqüentes feitas por ativistas de direitos humanos estão deixando os juízes iranianos mais sensíveis à opinião pública. “São tantos protestos dos ativistas que os juízes se sentem pressionados a não emitir a sentença de morte”, diz a advogada. Drogas Leila morava na cidade de Arak, ao sul de Teerã, conhecida pela incidência criminal e uso de drogas ilícitas. A maioria dos ganhos de Leila com a prostituição eram usados para a compra de narcóticos pela família. De acordo com ONU, até 75% das apreensões de ópio no mundo são feitas no Irã e as autoridades reconhecem que o vício é um problema sério. Segundo o diretor do centro Omid E Mehr, Eshrat Gholipur, que cuida de mulheres pobres em Teerã, a prostituição está relacionada à venda de drogas ilegais. “Eu já entrei em casas no sul de Teerã onde as meninas tinham que vender o corpo para manter o vício dos pais”, afirma. Futuro Leila está morando em Teerã, com uma assistente paga pelo centro Omid E Mehr. A fundadora do centro, Marjaneh Halati, que vive em Londres, afirma que Leila chegou ao local analfabeta. Hoje ela está aprendendo a ler e escrever e é uma mulher livre. “Nós moramos no Irã e temos que obedecer a algumas leis, mas isso não significa que não podemos dizer às mulheres que elas são como os homens. Elas também são indivíduos”, afirma Halati. O Irã aprovou a primeira lei de proteção à criança há cinco anos. Em 2008, um novo projeto desenvolvido por advogados de direitos humanos para facilitar os processos relacionados ao abuso de crianças deve ser analisado pelo Parlamento. |
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