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Atualizado às: 09 de novembro, 2007 - 10h15 GMT (08h15 Brasília)
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Buracos negros 'podem ser origem de raios cósmicos'
raios cósmicos
Partículas seriam originadas em galáxias vizinhas
Uma equipe de cientistas descobriu que os raios cósmicos – partículas com grande concentração de energia e que se deslocam a velocidades próximas à da luz – são provavelmente originados de buracos negros gigantes situados em galáxias vizinhas à Via Láctea.

O estudo realizado por 370 pesquisadores de 17 países, entre eles o Brasil, foi publicado na última edição da revista Science.

As conclusões, feitas a partir de pesquisas realizadas no Observatório Pierre Auger, na Argentina, podem solucionar um quebra-cabeças que intriga a ciência desde 1912, quando os raios cósmicos foram identificados.

Ao contrário do que se pensava até agora, as partículas de alta energia que “bombardeiam” a Terra não seriam provenientes de áreas aleatórias no espaço, mas de áreas ocupadas por galáxias que contêm buracos negros gigantes.

Os estudiosos acreditam que os campos magnéticos em volta dos buracos negros aumentam a velocidade dos raios, o que explicaria a alta concentração de energia das partículas.

Origem do universo

Para o professor Carlos Ourivio Escobar, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp e coordenador da parte brasileira do projeto, os primeiros resultados dos estudos realizados na Argentina significam um passo significativo em busca da explicação da origem do universo.

“Ao ratificarmos que a radiação não é um fenômeno local e sim cosmológico, estamos relacionando o fenômeno a algo ligado ao princípio do universo. Evidentemente, isso não explica tudo, mas abre caminhos para novas pesquisas que certamente nos trarão esclarecimentos adicionais acerca do assunto”, disse o professor, em entrevista ao Jornal da Unicamp.

Ainda de acordo com o professor, a descoberta inaugura a "era da astronomia com raios cósmicos".

“Ao conhecer como as partículas de altíssima energia são naturalmente aceleradas, os cientistas poderão, eventualmente, reproduzir o fenômeno em laboratório, o que inauguraria uma nova fase para o estudo de mecanismos de aceleração”.

O observatório Pierre Auger fica na província de Mendoza, na Argentina, e conta com 24 telescópios e 1.600 detectores.

O observatório detecta chuvas de bilhões de raios cósmicos secundários que são gerados quando as partículas atingem a atmosfera terrestre em alta velocidade.

Os raios cósmicos secundários são inofensivos à vida na Terra, mas os raios cósmicos primários são perigosos para os astronautas no espaço.

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