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Atualizado às: 31 de outubro, 2007 - 22h39 GMT (20h39 Brasília)
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Tire suas dúvidas sobre a alta do petróleo
Refinaria de petróleo
A cotação permaneceu acima de US$ 70 boa parte do ano
A cotação do barril de petróleo se aproxima cada vez mais de US$ 100 – um patamar que, segundo analistas, deverá ser alcançado até o final do ano.

Em comparação com 2002, o preço do barril quadruplicou em outubro, sendo negociado a um valor 40% maior do que o do início de 2007.

A BBC preparou uma série de perguntas para explicar as raízes da atual alta do petróleo e suas conseqüências.

O que está causando esta alta?

Uma explicação é a instabilidade em importantes regiões produtoras.

Analistas temem, por exemplo, as conseqüências de uma possível ofensiva militar da Turquia no norte do Iraque, para combater rebeldes curdos que lá estariam escondidos.

A quantidade de petróleo produzida no norte do Iraque é pequena, mas existe a possibilidade de que o conflito se espalhe, tendo reflexos no restante do país e em todo Oriente Médio.

Teme-se, especialmente, que os curdos façam um ataque retaliatório contra um importante oleoduto na Turquia, usado para transportar 700 mil barris de petróleo por dia do Azerbaijão ao porto turco de Ceyhan.

Esse não é o único problema na região. Os planos do Irã de desenvolver sua tecnologia nuclear geram tensão na região, já que teme-se que o país use suas reservas de petróleo como moeda de barganha para conseguir apoio para seus objetivos.

Os Estados Unidos ainda não descartam uma possível ofensiva militar contra o Irã, que eles acusam de estar tentando desenvolver armas nucleares.

Por fim, a Nigéria, outro importante produtor de petróleo, tem enfrentado problemas de violência. Seqüestros de funcionários estrangeiros de refinarias e campos de exploração têm se tornado freqüentes, inflando os preços, que são cotados em uma moeda cada vez mais desvalorizada, o dólar americano.

A demanda mundial por petróleo vai continuar aumentando?

Sim. A demanda já é a maior de todos os tempos, principalmente por causa da desconcertante expansão econômica da China e da Índia.

A China ultrapassou em 2003 o Japão e se tornou o segundo maior consumidor mundial de petróleo e se aproxima cada vez mais do primeiro colocado, os Estados Unidos. A cada ano, a demanda chinesa por petróleo cresce cerca de 15%.

No mundo inteiro, a demanda deve crescer em 2,2 milhões de barris por dia no ano que vem, de acordo com a Agência Internacional de Energia. Em 2007, por exemplo, esse crescimento deve ser de 1,7 milhão de barris/dia.

O crescimento econômico chinês impulsiona a demanda mundial

A agência diz que a demanda anual vai crescer 2% até 2012. Outras projeções indicam que a procura por petróleo deve aumentar de 90 milhões de barris/dia para até 140 milhões barris/dia em um período de 25 anos.

O que a Opep está fazendo em relação a isso?

A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reúne alguns dos principais produtores do mundo e vem sendo pressionada a tomar medidas para reduzir os preços.

Recentemente, o cartel concordou em aumentar as quotas de produção em 500 mil barris por dia a partir de 1° de novembro.

A Opep alega que o mercado está “muito bem abastecido” com petróleo e que continuará assim no futuro próximo.

A organização diz que a alta é culpa de especuladores, que faturam apostando no preço futuro do petróleo.

Críticos do cartel, porém, dizem que a organização poderia agir de forma mais agressiva para reduzir as cotações.

Quem ganha e quem perde com os altos preços do petróleo?

Levando a inflação do período em conta, o preço atual do produto ainda é inferior ao de 1980, quando o barril, em valores atualizados, era cotado a mais de US$ 100, segundo a Agência Internacional de Energia.

Em 1980, a alta do petróleo contribuiu para uma recessão nos Estados Unidos, e teme-se que o mesmo aconteça agora.

O preço alto afeta o bolso do consumidor final de combustíveis e o caixa das empresas, provocando um efeito dominó que reduz o consumo e esfria a economia.

Por outro lado, empresas do setor do petróleo se beneficiam da alta, assim como os países exportadores.

Na Venezuela, o dinheiro obtido com a venda do produto, uma das riquezas nacionais, está ajudando a financiar programas sociais e a “revolução” propagandeada pelo presidente Hugo Chávez.

Na Rússia, o período de grande prosperidade de empresas de petróleo e gás coincidiu com medidas adotadas pelo presidente Vladimir Putin para ampliar o controle estatal do setor energético.

Como a alta deve afetar o Brasil?

O Brasil continua aumentando sua produção e sua capacidade de refino de petróleo e pode se beneficiar dos preços altos.

A expectativa é de que a próxima licitação de blocos para exploração a ser promovida pela Agência Nacional do Petróleo, em novembro, atraia um número recorde de participantes. Com a exploração dos novos blocos, as reservas brasileiras devem ganhar um acréscimo de 1,5 bilhão de barris por dia.

Por enquanto, não se espera que a alta do petróleo leve a reajustes nos preços da gasolina e do óleo diesel, que não tem reajustes desde 2005. Segundo o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, a valorização do real compensa os efeitos da alta e torna desnecessário um reajuste.

Mas pode haver aumentos em outros derivados do petróleo, como nafta, usado para fazer plásticos, e querosene, combustível de aviões, com um possível efeito cascata para os consumidores.

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