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Atualizado às: 28 de outubro, 2007 - 17h47 GMT (15h47 Brasília)
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Eleições começam com atraso na Argentina

Cédulas eleitorais na Argentina
Campanha eleitoral foi marcada pela apatia
A eleição presidencial da Argentina começou com atraso neste domingo em vários pontos do país por falta de mesários.

Muitos dos que foram convocados, não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presos como manda o código eleitoral.

Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, cerca de 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários e a situação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta a votação.

Tulio disse ainda que ocorreram incidentes isolados até o início da tarde, hora local. Um homem foi preso na localidade de Adrogue, na capital, tentando votar duas vezes.

Os candidatos da oposição Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, Ricardo Lopez Murphy, da coligação Recrear-PRO, e Alberto Rodríguez Saá, da Frente Justiça, União e Liberdade, reclamaram de ter demorado a encontrar cédulas com seus nomes na hora de votar, mas Tulio afirmou que a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral mas sim dos partidos, que devem distribuir essas cédulas".

Na Argentina, ao entrar na cabine eleitoral, o eleitor encontra diversas pilhas com cédulas de candidatos de diferentes partidos para votar.

Voto eletrônico

A desconfiança no sistema eleitoral argentino levou três dos principais candidatos à presidência a pedirem que a Argentina implemente, o quanto antes, o voto eletrônico.

"O Brasil e muitos outros países têm voto eletrônico. É uma forma segura de evitar as armações, as fraudes", disse Lopez Murphy na hora de votar. "Estou muito preocupado que nós aqui continuamos votando como se vivessemos no século 19 e não no século 21", completou.

Para o candidato Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada), a Argentina precisa de uma "reforma política" para garantir a institucionalidade do pleito.

Durante a campanha, Lavagna disse que o Brasil foi um "modelo de transparência" e de "agilidade" na última eleição, por exemplo, na disputa do segundo turno, no ano passado. "Mais de 100 milhões votaram e o resultado saiu rapidamente", afirmou neste domingo seu assessor político, Alejandro Rodríguez.

"Aqui, dois milhões de eleitores votaram, recentemente, para governador na província de Córdoba e a apuração demorou 48 dias para ser confirmada", completou.

Tumulto

Quando a segunda colocada nas pesquisas Elisa Carrió chegou para votar no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, houve empurra-empurra, com pessoas gritando: "Seja eleita para acabar com a corrupção".

Segundo diferentes pesquisas de opinão, "Lilita", como ela é conhecida, poderia empatar ou até vencer as eleições na capital federal. As pesquisas, no entanto, apontam a vitória nacional da candidata do governo, a primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner.

"Demorei muito a encontrar alguma cédula com meu nome", reclamou Lilita, "mas nesse momento quero agradecer porque podemos votar uma vez mais para presidente, apesar de nossas desconfianças (no sistema político)".

A candidata a deputada federal Patrícia Bullrich, da Coalizão Cívica, que acompanhava Lilita na hora da votação, disse recentemente que a frente partidária também defende uma reforma política.

"É preciso ter voto eletrônico. Será mais transparente", afirmou Bullrich.

A discussão sobre o voto eletrônico ainda gera polêmicas na Argentina. Poucos dias antes da eleição, numa entrevista à imprensa estrangeira, a vice-presidente da Suprema Corte de Justiça, ministra Elena Highton de Nolasco, disse ser contra porque o sistema não garante a transparência.

"O nosso sistema eleitoral é muito mais confiável porque o resultado pode ser acompanhado por vários fiscais, de diferentes partidos", afirmou.

Lopez Murphy, Lavagna e Carrió votaram pela manhã em Buenos Aires, Alberto Rodríguez Saá, da Frejuli, votou na província onde é governador, São Luis, e Cristina em Santa Cruz, na Patagônia.

"É muito importante que cada cidadão argentino possa decididir em que modelo quer viver. Eu sou de uma geração que não podia votar, por isso hoje é um dia muito importante”, disse Cristina diante das câmeras de televisão.

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