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Atualizado às: 16 de outubro, 2007 - 17h13 GMT (14h13 Brasília)
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Para analistas, China ainda vai demorar para relaxar censura

Carro da polícia dispersa pessoas próximas do local do Congresso
Carro da polícia dispersa pessoas próximas do local do Congresso
Analistas ouvidos pela BBC Brasil dizem que o Partido Comunista chinês não deverá relaxar a censura que exerce sobre a população do país nos próximos anos.

Na segunda-feira, durante discurso de abertura do Congresso do Partido Comunista, o presidente chinês Hu Jintao disse que o partido vai caminhar em direção à democracia, mas, segundo especialistas ouvidos pela BBC, isso não significa maior respeito aos direitos humanos e à liberdade de expressão.

"O discurso foi superficial, não apresentou medidas concretas de respeito à liberdade dos indivíduos. Falou-se em democracia intrapartidária, mas não é a mesma coisa", disse Williy Wo-Lap Lam, analista político chinês e autor do livro Chinese Politics in the Hu Jintao Era ("Política Chinesa na Era Hu Jintao", em tradução livre).

As criticas vêm em meio ao endurecimento da censura por causa do Congresso comunista. A polícia da capital está em alerta para retirar manifestantes das ruas.

A agricultora Liu Jie, da província de Heilongjiang, foi uma das pessoas presas por oficiais à paisana durante o fim de semana. Ela estava em Pequim para entregar uma carta com mais de 12 mil assinaturas pedindo maior liberdade de expressão e reformas democráticas ao governo.

"A censura é necessária enquanto houver pessoas insatisfeitas e, num país como a China, sempre haverá descontentes. O partido não pode se dar ao luxo de sofrer uma revolta, por isso não vejo como poderão dar maior liberdade ao povo em breve", afirma o professor e articulista político Chan Che Po.

"Hu Jintao está no poder há cinco anos, e não houve nesse tempo sinal de que a censura está diminuindo drasticamente", comenta Baohui Zhang, professor de ciências políticas da Universidade Lingnan de Hong Kong.

Internet

Um relatório compilado pela organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e divulgado mundialmente na semana passada aponta táticas de censura do governo chinês na internet.

O dossiê Viagem ao coração da censura na internet diz que os censores estatais utilizam tecnologias de filtragem, vigilância cibernética e propaganda ideológica para controlar 162 milhões de internautas chineses.

O intrincado sistema está estruturado em cinco organismos estatais que elaboram relatórios secretos sobre as informações que correm na rede, monitoram a opinião pública, espionam em computadores pessoais e proíbem a publicação de certos conteúdos.

Apenas a lista de "assuntos proibidos" conta com 400 a 500 palavras que não podem ser encontradas em sites de busca na China.

Otimismo

Segundo o relatório, todo o aparato de censura na China é supervisionado pelo ministro de Segurança Pública, Zhou Yongkang, e pelo chefe do Departamento Público, Liu Yunshan.

"Provavelmente, Zhou Yongkang entrará para o Comitê Permanente do Politburo durante este Congresso", estima Williy Wo-Lap Lam. "Isso é um sinal de que a liderança premia oficiais que promovem a censura", avalia.

O Comitê Permanente do Politburo é o mais alto círculo de poder na China.

Apesar de dizer que Hu Jintao não fez muito esforço nos últimos cinco para diminuir a censura, o professor de ciências políticas Baohui Zhang diz que a tendência em longo prazo dá margem para algum otimismo.

"Historicamente, Hu Jintao ainda é um líder bem mais aberto do que Deng Xiaoping ou Mao Tsé-tung", conclui.

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