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Atualizado às: 15 de outubro, 2007 - 11h17 GMT (08h17 Brasília)
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Hu Jintao admite que não atendeu a expectativas

Presidente Hu Jintao no Congresso do Partido Comunista
Hu Jintao abriu o 17º Congresso do Partido Comunista
Em discurso de abertura do 17º Congresso do Partido Comunista nesta segunda-feira em Pequim, o presidente chinês Hu Jintao afirmou que, apesar das melhorias, seu governo ainda não foi capaz de atender às expectativas dos chineses e disse que o combate à corrupção é crucial para a sobrevivência do partido.

“Enquanto reconhecemos nossas conquistas, também precisamos estar cientes de que ainda não alcançamos as expectativas da população”, disse Hu Jintao aos delegados regionais reunidos no Grande Plenário do Povo, que abriga o congresso chinês.

Hu reconheceu a existência do "problema sério" da corrupção dentro do partido. “Um número pequeno de membros não é honesta e direita”, reconheceu. “A extravagância, desperdício, corrupção e outras atitudes indesejáveis (deles) são problemas sérios”.

O presidente recomendou “punições resolutas” e “prevenção efetiva” como solução para o problema. Acabar com o abuso de poder é “fundamental para o partido e sua sobrevivência”, reforçou.

Liderança

A liderança do presidente Hu Jintao pelos próximos cinco anos deverá ser confirmada durante o congresso, que é composto por mais de dois mil delegados vindos de todas as províncias e estabelece a composição dos órgãos decisórios do partido.

“A liderança de Hu Jintao é consolidada. Ele ficará à frente da China até 2012 certamente, mas ele não se consagrará como um líder histórico e centralizador como Mao Tse-tung ou Deng Xiao-ping”, avalia Dr. Baohui Zhang, professor de ciências políticas da Universidade Lingnan de Hong Kong.

“É garantido que Hu reforçará seu pulso sobre a China mas não incondicionalmente”, acredita Willy Wo-Lap Lam, analista político chinês e autor do livro Chinese Politics in the Hu Jintao Era (Política chinesa na Era de Hu Jintao, em tradução livre).

Metas econômicas e relações internacionais

Na área econômica, o presidente anunciou a ambiciosa meta de quadruplicar o Produto Interno Bruto médio per capita nos próximos 12 anos e tornar o país uma “sociedade moderadamente próspera” em que a maioria da população seja de classe média.

“Nós vamos quadruplicar o PIB per capita do ano 2000 até 2020 através da otimização da estrutura econômica e melhoria dos retornos econômicos, ao mesmo tempo em que reduziremos o consumo de recursos e protegeremos o meio-ambiente”, disse Hu.

Em 2006, o PIB médio per capita anual do cidadão chinês foi de cerca de US$ 2 mil, de acordo com a imprensa estatal. O valor equivale a aproximadamente R$ 3,6 mil.

O líder chinês também reafirmou que Taiwan pertence ao país e disse que há pressões separatistas no ar. “Nós jamais vamos permitir que alguém separe Taiwan da terra mãe sob qualquer razão ou de qualquer maneira”, ele advertiu.

Taiwan é a ilha vizinha à China para a qual fugiram em 1949 os nacionalistas liderados por Chiang Kai-shek, após terem sido derrotados pelas forças de Mao Tsé-tung.

Na prática, Taiwan é um país independente, mas Pequim não reconhece a ilha e exige dos parceiros comerciais que endossem a política chamada de “China única”.

A apresentação do presidente foi longa e abordou ainda vários outros temas, entre eles agricultura, educação, cultura, inovação, reformas e democracia intra-partidária.

Congresso e poder

Junto com o discurso, o presidente, que é também Secretário Geral do Partido Comunista, entregou aos delegados regionais um extenso relatório avaliando o desempenho da China nos últimos anos e disse que o país precisa buscar crescer como “sociedade harmônica” e respeitar “desenvolvimento científico”.

Os princípios de “sociedade harmônica” e “desenvolvimento científico” defendidos por Hu representam na prática a busca por melhor distribuição de renda e uso racional dos recursos naturais.

Os participantes do encontro irão discutir as conclusões desse dossiê ao longo da semana para decidir as diretrizes e lideranças políticas dos próximos cinco anos.

Duas facções concorrentes, o Grupo de Xangai e a Ala Jovem, irão disputar influência e poder nos próximos dias.

O ex-presidente Jiang Zemin é do lado menos favorecido, o grupo de Xangai, mas ainda exerce poder.

Na cerimônia de abertura do congresso ele estava sentado ao lado do presidente Hu Jintao, um sinal de respeito e autoridade segundo as regras não escritas da etiqueta comunista.

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