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Em meio a polêmica sobre imigrantes, Paris abre Museu da Imigração | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em meio à uma forte polêmica causada por uma lei que restringe a entrada de imigrantes estrangeiros na França, foi inaugurado em Paris o Museu da História da Imigração. A abertura do local, que tem o objetivo de promover a contribuição econômica e cultural dos imigrantes, ocorreu de forma discreta, sem a presença de autoridades, fato atípico no país. O jornal Le Monde destacou a ausência do presidente Nicolas Sarkozy e de autoridades do primeiro escalão do governo na inauguração, e diz que o governo tratou o evento "com total discrição". O novo museu em Paris tem o objetivo de “mudar o olhar contemporâneo sobre a imigração”. Ele apresentará, por meio de filmes, fotos, exposições e conferências, a história dos imigrantes na França desde o século 19. Polêmica O projeto desse novo museu foi lançado há cerca de dez anos e foi levado adiante durante a última gestão do ex-presidente Jacques Chirac. A inauguração foi marcada justamente para o dia em que Sarkozy, estaria na Rússia e o ministro da Imigração, Brice Hortefeux, na Espanha.
O primeiro-ministro, François Fillon, que está em Paris, não compareceu à abertura. Apenas a ministra da Cultura, Christine Albanel, prometeu passar no local à noite. Já o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, foi conhecer o novo museu, onde fez declarações contra a política de imigração do governo conservador do presidente Sarkozy. A nova lei, que prevê a realização de testes de DNA para estrangeiros que desejam trazer sua família à França, aprovada recentemente pelo Senado, continua sendo fortemente criticada por associações de defesa de direitos humanos e também por membros do governo ligados à esquerda.
A ministra de Políticas Urbanas, Fadela Amara, de origem argelina, qualificou a iniciativa de realizar testes de DNA em imigrantes de “nojenta”. O governo francês, por iniciativa de Sarkozy, vem reforçando as leis de imigração para impedir a entrada no país de pessoas com pouca qualificação profissional e de baixo poder aquisitivo. O governo também instituiu metas para a expulsão de clandestinos. Neste ano, o número previsto é de 25 mil. Recentemente, o ministro da Imigração convocou os secretários de segurança pública que não estão cumprindo os objetivos fixados pelo governo e pediu maior empenho para atingir o número previsto de expulsões. Oito historiadores que participavam da criação do projeto do museu da imigração pediram demissão quando o presidente Sarkozy lançou, em maio passado, o novo ministério da Imigração. Segundo as últimas estatísticas oficiais, 5 milhões de imigrantes vivem hoje na França, o que representa cerca de 8% da população. Entre as pessoas de origem estrangeira, 40% adquiriram a nacionalidade francesa, obtida com uma naturalização ou por meio de um casamento. Argelinos, marroquinos e tunisianos correspondem à grande maioria dos imigrantes, totalizando 1,5 milhão. |
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