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Promessa de mudança no FMI levou Brasil a apoiar Strauss-Kahn | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O apoio do Brasil ao francês Dominique Strauss-Kahn, que nesta sexta-feira foi eleito como o novo diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, foi motivado pela promessa do candidato europeu a mudar as regras para eleição da direção do organismo. O Brasil vem reivindicando mudanças na maneira de eleger os diretores do FMI e o Banco Mundial e uma maior participação dos países emergentes no sistema de cotas que determina o balanço de poder na instituição. “O Sr. Strauss-Kahn manifestou a sua convicção de que os procedimentos tradicionais e não-escritos seguidos para a escolha do presidente do Banco Mundial e do diretor-gerente do FMI são indefensáveis e devem ser abandonados”, diz uma nota assinada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, justificando porque o Brasil apoiou a candidatura de Strauss-Kahn. Esses procedimentos não-escritos estão em vigor desde a criação das duas instituições, em 1944, quando americanos e europeus combinaram que os primeiros indicariam o presidente do Banco Mundial e os europeus ficariam com a direção do FMI e receberiam apoio mútuo. Os cinco maiores acionistas são Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Reino Unido, que juntos têm 40% das cotas. O Brasil tem 1,40% das cotas. O grupo que representa, que inclui ainda Colômbia, República Dominicana, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, Suriname e Trinidad e Tobago, tem 2,46%. As cotas são definidas a partir do tamanho e da importância do país na economia mundial. Na revisão realizada no ano passado o Brasil não apenas não conseguiu aumentar sua cota como perdeu a posição que detinha, com o aumento da participação do México, da China, da Coréia do Sul e da Turquia. Votação Além do aumento da participação, o Brasil e outros países emergentes vêm reivindicando também uma mudança na maneira de apresentar as candidaturas. Com o acordo entre americanos e europeus, fica garantida a eleição do indicado por eles. Na avaliação do governo brasileiro, o novo diretor-gerente se comprometeu com essas mudanças. “O Sr. Strauss-Kahn manifestou de forma clara o compromisso de promover uma reforma no FMI visando a mudança do sistema de votação e representação, democratizando, assim, o processo de tomada de decisões e permitindo um aumento significativo da participação do Brasil e de outros países em desenvolvimento”, afirma a nota assinada pelo ministro Guido Mantega. Antes de apoiar Strauss-Kahn, o governo brasileiro acenou com um apoio à candidatura do tcheco Josef Tosovsky, apresentada pelo governo russo. Mantega disse na época que gostaria de conhecer as idéias de Tosovsky, embora ele sempre tenha sido visto como um “candidato alternativo”. De acordo com um assessor do ministério, o governo brasileiro já dava como certa a escolha do candidato francês, mas apoiou o tcheco como forma de levantar o debate sobre o processo de escolha. No início da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ao presidente francês Nicolas Sarkozy seu voto em Strauss-Kahn. Na primeira nota que divulgou após a eleição, nesta sexta-feira, o novo diretor-gerente do Fundo destaca o apoio que recebeu dos países emergentes e de renda baixa e fala em mudanças. “Estou determinado a implementar sem demora as reformas necessárias para que o FMI coloque a estabilidade financeira a serviço da comunidade internacional, ao mesmo tempo em que estimula o crescimento econômico e o emprego”, afirma. |
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