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Atualizado às: 11 de setembro, 2007 - 11h27 GMT (08h27 Brasília)
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'Precisamos importar mais etanol', diz ministro sueco

O ministro do Meio Ambiente da Suécia, Andreas Carlgren
Carlgren tem como missão substituir petróleo
Em um país que tem como meta se livrar dos combustíveis fósseis até 2020, o ministro do Meio Ambiente sueco, Andreas Carlgren, não tem uma tarefa fácil nas mãos. E uma das respostas que ele tem para o problema soa como música aos ouvidos do governo brasileiro.

“Precisamos importar mais etanol”, disse o ministro em entrevista à BBC Brasil. ”Estamos realizando esforços para desenvolver e produzir a próxima geração de biocombustíveis, mas isto não será suficiente. A Suécia e a Europa não vão conseguir atender à demanda por combustíveis renováveis, que cresce rápida e continuamente, se ficarmos restritos ao mercado europeu.”

Hoje praticamente toda a frota de mais de 70 mil carros flex da Suécia é movida com etanol do Brasil, e o país é maior importador europeu de etanol e o quinto maior importador do produto brasileiro.

Tarifas

Para Carlgren, uma das barreiras ao aumento das importações são as tarifas impostas ao etanol do Brasil. “O volume a ser importado do Brasil vai depender do mercado mundial e de se vamos ter êxito em eliminar as barreiras tarifárias ao produto.”

Até dois anos atrás, de acordo com Hannes Carl Borg, assessor do ministério sueco, a Suécia importava do Brasil todo o etanol usado no país. Mas devido às mudanças nos preços mundiais, o país começou a importar etanol também da União Européia (bloco em que os principais produtores são Alemanha, Espanha e França).

O mercado de biocombustíveis na Suécia é estimado atualmente em cerca de 370 mil metros cúbicos.

Deste total, segundo Anders Wahlberg, assessor do Ministério do Comércio da Suécia, aproximadamente 80 mil metros cúbicos são atualmente importados do Brasil. O restante vem da produção da União Européia e da produção doméstica, que totaliza 25% do etanol usado no país.

"Frota verde"

Na Europa, a Suécia é referência no setor. Segundo Hannes Carl Borg, o número de automóveis que podem ser movidos a etanol na Suécia é de 72,5 mil – a maior frota européia de veículos “verdes”.

O etanol brasileiro é utilizado como E85, uma mistura de 85% de etanol e 15% de gasolina.

A frota de ônibus já conta com 600 unidades movidas a etanol puro. A meta do governo é de que, até 2020, todos os veículos no país sejam movidos a combustíveis renováveis. O número de veículos “verdes” na Suécia representa hoje cerca de 3% do total em circulalção no país.

No âmbito da União Européia, o plano é de que 10% dos transportes sejam movidos por combustíveis renováveis até 2020.

Comprar carros flex virou uma febre entre a ecologicamente consciente população sueca: no ano passado, 48.486 veículos foram vendidos – mais que o dobro dos 22.618 comprados em 2005, e quase quatro vezes mais que os carros vendidos entre 2001 e 2004.

Neste ano, a Suécia está assistindo a um novo recorde de venda de carros flex: um de cada cinco carros comprados é “verde”.

Incentivos

Para produzir este recorde, o governo sueco introduziu uma série de incentivos destinados a estimular a venda de carros flex.

A principal medida, lançada em abril deste ano, foi um abatimento de 10 mil coroas suecas (cerca de US$ 1,5 mil) na compra de carros “verdes”.

Outros benefícios exclusivos para propietários de veículos flex são desconto de 30% na taxa de registro do veículo, isenção do imposto sobre congestionamento (a taxa paga para circular no centro da cidade) e até estacionamento grátis.

A fim de promover o uso de biocombustíveis, o governo sueco estabeleceu que os principais postos de gasolina são obrigados a oferecer pelo menos um tipo de combustível renovável, como etanol ou biogás.

Quase mil postos de gasolina já oferecem o etanol E85.

O governo anunciou também que, até 2009, metade de todos os postos de gasolina do país devem estar equipados com bombas de combustíveis renováveis.

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