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Atualizado às: 06 de setembro, 2007 - 18h30 GMT (15h30 Brasília)
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Falta de informação sobre Brasil dificulta comércio, dizem chineses

Soja
Brasil é visto por chineses como fornecedor de commodities
Na visão de empresários e especialistas chineses, uma das maiores barreiras para o Brasil ampliar e diversificar sua pauta de exportações à China é a falta de conhecimento sobre o país e seus produtos. Atualmente, segundo eles, o Brasil é visto como um parceiro comercial pequeno e um fornecedor de commodities.

"O que vai fazer a China comprar do Brasil e não de outros parceiros? Qualidade, preço competitivo, boa distribuição. Os empresários chineses simplesmente não sabem o que esperar desses quesitos e do governo quando fazem negócios com o Brasil", disse Jiren Liu, presidente da Neusoft, empresa na área de tecnologia que estuda fazer parcerias comerciais e de investimento com o Brasil.

Liu concedeu entrevista à BBC Brasil durante o Encontro Inaugural de Novos Campeões organizado pelo Fórum Econômico Mundial da Ásia, que começou nesta quinta-feira em Dalian, nordeste na China.

Durante o encontro, podia-se ouvir opiniões parecidas com a de Jiren Liu entre outros homens de negócio chineses. "Há pouco conhecimento sobre o Brasil na China, é necessário mais promoção comercial", afirmou Li Yonghong, dono da Comexport, uma empresa de trading que trabalha com os dois países.

Soja e ferro

Não chega a surpreender a falta de conhecimento sobre o Brasil entre os chineses. Dos quase US$ 800 bilhões importados pelo país no ano passado, apenas US$ 8,4 bilhões foram comprados do Brasil, pouco mais de 1%. E desse volume, praticamente US$ 5 bilhões são resultados da venda de soja e de minério de ferro.

Apesar de ser um valor pequeno para a voraz economia chinesa, a nação asiática está ganhando muita importância para o Brasil e nos primeiros seis meses de 2007 já se tornou o segundo melhor cliente do Brasil no exterior, atrás apenas dos Estados Unidos.

Do lado brasileiro, as importações de produtos da China não é muito maior e a balança comercial com o país neste ano acumula um déficit de US$ 198,8 milhões no primeiro semestre.

O número não assusta, mas mostra uma mudança de tendência. No ano passado, o Brasil mantinha um superávit com a China, cujo grosso das exportações aos brasileiros se concentra em produtos industrializados.

Do ponto de vista de empresários e do governo brasileiro, há dois caminhos a serem perseguidos para ampliar as relações comerciais com a China.

O primeiro é aprofundar os laços nos setores em que o Brasil já atua. Segundo estimativas do governo chinês, a partir de 2010 a economia do país terá capacidade para absorver US$ 1 trilhão em importações.

O principal motivo desse crescimento é o rápido processo chinês de urbanização que deve ampliar o consumo em todos os setores, inclusive o de alimentos e de matérias-primas.

O comércio entre os dois países já está se beneficiando dessa onda. Apenas no primeiro semestre de 2007 o intercâmbio entre os dois países cresceu 38% em relação ao mesmo período do ano passado, pulando de US$ 8,9 bilhões para US$ 12,3 bilhões, segundo números do Ministério da Indústria e Comércio Exterior (Mdic).

Para o embaixador brasileiro em Pequim, Luiz Augusto de Castro Neves, é na ampliação das vendas nessas áreas que residem as maiores chances de aumento de vendas. "É fato que a população (chinesa) carece de alimentos no longo prazo, e a produção interna não têm como atender à demanda. O Brasil tem a oportunidade de ser um grande fornecedor para a China nesse sentido."

O outro caminho que o Brasil pode seguir para aumentar as vendas aos chineses é exportar produtos que vão além da cozinha ou do chão de fábrica.

A barreira aqui, dizem os chineses, é justamente a falta da percepção de que o Brasil tem como competir com todas as potências exportadoras que vêem na China um destino importante.

O conselho Guan Dong Yuan, o diretor da Embraer no país, é claro.

"Acho que tem muitos aspectos na relação do Brasil e China que podem ser melhorados, mas fundamental é comunicação. Até hoje os dois ainda não se entendem muito bem e os empresários dos dois lados não se conhecem", disse ele, em chinês.

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