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Passado de militância islâmica persegue presidente eleito da Turquia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As ambições políticas de Abdullah Gul, eleito pelo Parlamento turco para a Presidência, há muito vêm provocando desconforto em setores da elite do país, que defendem a separação entre religião e Estado. Gul, um ex-ativista islâmico, é o primeiro político com esse antecedente a se tornar chefe de Estado no país desde a fundação do Estado Turco moderno, em 1923. Durante sua trajetória política, Gul pertenceu a um partido que defendia que os preceitos islâmicos guiassem a política. Mas hoje o presidente eleito diz ter rompido suas ligações com esse passado militante e promete governar para todos os turcos, respeitando o secularismo – uma das bases do Estado turco idealizado por seu fundador, Mustafa Kemal Ataturk. Ainda assim, muitos temem que Gul tenha uma agenda de governo pró-islâmica oculta. Boicote e crise O temor levou secularistas a boicotarem, em abril, uma votação no parlamento para escolher o presidente do país, na qual Gul era candidato. Isso provocou um impasse político que acabou levando à realização de novas eleições parlamentares, no mês passado.
O partido governista AKP, que Gul ajudou a fundar, saiu vitorioso do pleito e, com o respaldo das urnas, decidiu indicar de novo Gul como candidato a presidente. Após três votações no Parlamento, Gul finalmente foi eleito. Mas a oposição a ele continua forte como nunca. Os militares – que se consideram defensores do estado laico turco – já advertiram que poderiam intervir se o secularismo for colocado em risco. No dia 27 de agosto, o chefe das Forças Armadas, general Yasar Buyukanit, advertiu que existem “centros do mal” tentando sabotar o Estado. Muitos interpretaram isso como um recado endereçado a Gul. O fato de a mulher de Gul usar o véu islâmico, um poderoso e controverso símbolo do Islamismo no país, também desagrada muitos secularistas. Hayrunisa Ozyurt é a primeira mulher de um chefe de Estado turco a usar o véu, mas não está claro ainda se ela terá que respeitar a proibição do uso da indumentária em prédios oficiais da Turquia, como o Palácio Presidencial. Com relação à polêmica, Gul disse que o uso ou não do véu é uma questão de preferência individual e que todos devem respeitar essas opções. Chipre A seu favor, o presidente eleito tem o fato de ser um político experiente, primeiro-ministro em 2002 e 2003, e a fama de ser um diplomata habilidoso. Desde que se tornou ministro do Exterior, em 2003, ele tem liderado as negociações para que a Turquia se torne membro da União Européia. No campo da política externa, porém, Gul tenta há anos resolver a questão de Chipre – um dos principais obstáculos à adesão da Turquia ao bloco europeu. A Turquia se recusa a abrir seus portos e aeroportos ao Chipre, a menos que a União Européia submeta a uma revisão o embargo imposto à República Turca do Norte do Chipre. Durante um breve período como primeiro-ministro, o político disse que essa era uma de suas prioridades, mas até hoje não houve avanços. No ano passado, Gul chegou a dizer que Chipre está “envenenando” o processo de adesão da Turquia à União Européia. |
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