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Atualizado às: 13 de agosto, 2007 - 07h21 GMT (04h21 Brasília)
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Volatilidade nos mercados deve continuar, dizem analistas

Bolsa de Tóquio
As bolsas asiáticas também registraram quedas nesta sexta
A volatilidade deve continuar marcando os pregões das bolsas de valores ao redor do mundo nesta semana, à medida em que os investidores tentam decifrar a extensão da atual crise financeira gerada pela deterioração do mercado hipotecário americano.

"Há muito medo baseado em pouca informação, o que tende a conduzir o mercado", comentou Ed Yardeni, presidente da consultora financeira Yardeni Research, ao jornal The Wall Street Journal.

"Está claro que a volatilidade está de volta com uma vingança acompanhada por suas más companhias, a incerteza e o medo", escreveu o periódico de negócios, que ainda questionou se os indicadores da economia americana a serem anunciados nesta semana seriam suficientes para "distrair os mercados" ou se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) teria que injetar mais recursos no mercado.

Analistas financeiros apostam inclusive na redução da taxa básica de juros do país, atualmente em 5,25% ao ano – há quem fale em uma queda na reunião do dia 18 de setembro ou mesmo antes disso.

Na avaliação de um analista de um hedge fund americano, a aversão ao risco pode aumentar ao longo da semana, fazendo com que os investidores corram para ativos mais seguros, o que, no jargão financeiro, é conhecido como "flight to quality".

"Os mercados emergentes podem sentir esse impacto, mas principalmente aqueles países que se beneficiaram do ingresso de capital estrangeiro e cujas economias não têm fundamentos sólidos, o que não seria o caso do Brasil", disse o analista.

De fato, a corrida para um lugar seguro já começou. Na sexta-feira, em Nova York, o preço dos contratos de ouro para entrega em agosto subiu US$ 8,90 para US$ 670,30 a onça.

A taxa de juros paga pelos títulos de dez anos do Tesouro americano subiu para 5,81% contra 5,3% em junho – a taxa de juros e o preço dos títulos são inversamente proporcionais, ou seja, a demanda pelos papéis aumentou.

O site americano Shark Investing, que ajuda o investidor comum a decifrar as notícias financeiras, publicou um texto no domingo no qual conclui que "é melhor errar ao ser conservador e permanecer na defensiva até que se tenha evidência concreta de que o mercado se estabilizou".

'Maníaco depressivo'

Em sua coluna no jornal New York Times, o economista da Universidade de Princeton Paul Krugman descreveu o mercado das últimas duas semanas como "maníaco depressivo", com ganhos e perdas acentuadas.

Mesmo após a turbulência de quinta-feira e sexta-feira, os principais índices da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) encerram a semana em alta e ainda acumulam ganhos no ano: Dow Jones Industrial Average (0,44% semana e 6,23% ano), Standard & Poor 500 (1,44% semana e 2,49% ano) e Nasdaq (1,34% semana e 5,37% ano).

A preocupação dos investidores com a liquidez no exterior fez com que o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) encerrasse o pregão de sexta-feira em queda de 1,48%, acumulando uma perda de 0,39% na semana.

O receio dos investidores nas bolsas foi desencadeado pela decisão dos bancos centrais americano, europeu e japonês de injetar recursos no mercado financeiro na tentativa de aumentar a liquidez do mercado e evitar uma forte restrição na concessão de crédito.

A torneira do dinheiro rápido e barato secou depois que investidores que tinham apostado em bons retornos do mercado imobiliário americano (por meio da compra de títulos de securitização) acabaram registrando prejuízos.

A grande questão, no entanto, é identificar quem são esses investidores de títulos de securitização e saber quão expostos estão o sistema financeiro e a economia americana às perdas do mercado de crédito e ao aumento do custo dos empréstimos.

"Há muitos riscos à nossa frente", disse Liz Ann Sonders, estrategista da administradora de recursos Charles Schwab, ao jornal New York Times. "Crises financeiras, no passado, quando não acompanhadas por uma recessão, foram boas para os mercados".

Mas ela ressaltou que "se o cenário econômico se deteriorar muito a partir daqui, então teremos que enfrentar um período mais difícil no mercado".

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