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Atualizado às: 10 de agosto, 2007 - 08h56 GMT (05h56 Brasília)
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Para especialistas, automação pode atrapalhar pilotos

Acidente do Airbus A320 da TAM
Apesar de aumentar segurança, computadores teriam criado riscos
Apesar de ter ampliado a segurança nos ares, o alto nível de automação nos aviões como o Airbus A320 da TAM que explodiu em São Paulo também gerou efeitos colaterais para os pilotos.

Na opinião de especialistas, a atual configuração das aeronaves pode ter efeitos negativos sobre as habilidades de vôo desses profissionais.

Para o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Pilotos de Linha (SNPL) francês, Jean-Benoît Toulouse, o problema se acentuou nas últimas duas décadas não só por causa da ampliação da tecnologia, mas também por causa de uma mudança na formação dos pilotos.

Toulouse, um dos representantes dos pilotos franceses na Ifalpa, a organização internacional que reúne as associações de pilotos, afirma que houve um aumento de casos em que o piloto teve dificuldades para manter a trajetória que ele queria.

"Não basta para os pilotos saber administrar sistemas automatizados. As panes não são inevitáveis, e muitos pilotos não estão mais acostumados a lidar com elas", diz o francês.

Estudo

Outro especialista, John Sampson, diretor de engenharia e operações técnicas da Associação Internacional de Segurança Aérea (Iasa, na sigla em inglês), concorda que há riscos.

"É muito provável que a capacidade dos pilotos para acionar manualmente comandos urgentes seja prejudicada (com a automação)”, diz.

Em um dos estudos mais completos sobre o assunto, feito nos Estados Unidos, em 1998, foram entrevistados 128 pilotos, cientistas, engenheiros e especialistas em segurança em aviação de vários países, além de consultas a 960 documentos, incluindo relatórios sobre acidentes aéreos.

Os pesquisadores identificaram 34 acidentes aéreos que poderiam conter evidências relacionadas a problemas com a automação da cabine. Eles tiveram acesso a 20 relatórios desses acidentes com o órgão americano National Transportation Safety Board (NTSB) e com outras organizações internacionais que conduziram investigações.

“Encontramos evidências relacionadas a problemas de automação da cabine em 17 dos 20 acidentes que revisamos”, diz o estudo.

Em cinco situações, os pesquisadores disseram ter encontrado evidências de que os pilotos usaram a automação em situações inapropriadas.

Um desses acidentes foi com o Boeing 757 que colidiu contra montanhas na Colômbia, em 1995.

De acordo com o estudo, houve uma falha da equipe “em reverter para a navegação de rádio básica quando a navegação FMS-assistida se tornou confusa e demandou uma excessiva carga de trabalho em uma fase crítica do vôo”. Os pilotos confiaram mais no computador do que na própria capacidade de lidar com a situação usando equipamentos mais elementares.

O coordenador da pesquisa, o professor Kenneth Funk, da Universidade Estadual de Oregon, nos Estados Unidos, chegou à conclusão de que essa confiança pode levar a problemas.

"Há situações em que a automação falha, ou situações em que não é apropriado usá-la, em que seria mais apropriado voar manualmente", disse Funk à BBC Brasil .

Treinamento

Para alguns pilotos e especialistas, a solução está em mais e melhor treinamento, incluindo a necessidade de manter os pilotos capacitados para lidar com falhas do equipamento eletrônico.

No entanto, nem todos concordam que existe um problema relevante na automação das aeronaves ou no volume de treinamento recebido pelos pilotos.

Pierre Sparaco, ex-diretor da revista Aviation Week e autor de vários livros sobre aviação, afirma que as críticas estão concentradas entre os pilotos franceses, que para ele têm uma visão romântica da profissão.

“Muitos pilotos franceses vêem a profissão de forma romântica e criticam o excesso de tecnologia. Toda vez que há um acidente grave eles voltam com essa discussão sobre a automatização.”

Falando sobre treinamento, o porta-voz da Ifalpa, Gideon Ewers, ressalta que a categoria já é a que tem "mais treinamentos e controles do mundo".

“Que outro profissional tem que que se submeter a provas a cada seis meses para provar que é capaz de desempenhar suas funções?”, pergunta.

Apesar da disputa, nenhum especialista defende diminuir a tecnologia nas aeronaves.

Colaboraram Adriana Stock, de Nova York, e Márcia Bizzotto, de Bruxelas

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