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Jornal vê influência política em decisão de abrir pista de Congonhas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal argentino La Nación avalia que as autoridades brasileiras podem ter autorizado a "utilização até as últimas conseqüências" da pista de Congonhas para evitar o custo político dos atrasos e do caos aéreo brasileiro. Sob o título "Uma catástrofe anunciada após vários meses de caos", o jornal é um dos raros que se aventuram a especular sobre razões políticas capazes de interferir na decisão técnica da Infraero de permitir pousos e decolagens no mais movimentado aeroporto do país. Outros jornais estrangeiros - entre eles os americanos New York Times e Washington Post, o espanhol El Pais e o britânico The Independent - noticiaram o acidente com o vôo 3054 da TAM apenas notando que a tragédia se desenrola em meio a um clima de tensão que já minava a confiança no setor aéreo do país. Mas, para o La Nación, "o pior acidente na história do Brasil não é um fato isolado, mas um novo capítulo, o mais trágico, da crise". "E o mais insólito é que a tragédia de ontem pode ter sido produzida por uma negligência fatal: a pista de aterrissagem de Congonhas não tinha as ranhuras necessárias para frear o avião em caso de chuva." "A pista havia sido reformada em maio, mas ainda não havia sido realizado o 'grooving', marcas no chão que permitem uma maior aderência quando o solo está úmido." "Antes da reforma (inconclusa), o Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes havia ordenado que os pousos e decolagens fossem suspensos em caso de chuva. O custo político que estava produzindo ao governo Lula os atrasos nas últimas semanas pode ter motivado a utilização da pista até suas últimas conseqüências", diz o jornal. 'Ramificações econômicas' Outro jornal que menciona a batalha em torno do fechamento da pista de Congonhas é o britânico The Guardian. O Guardian afirma que um dos fatores para reabrir a pista foi o desejo de evitar "graves ramificações econômicas". Mas o jornal não detalha que tipo de "ramificações econômicas" poderiam ocorrer se a pista permanecesse fechada. Segundo a reportagem, "críticos advertiram durante anos da possibilidade de um acidente, porque a pista do aeroporto é muito curta para que aviões grandes pousem em dias chuvosos". Já o Clarín, da Argentina, nota que acidentes que precederam o desta terça-feira vinham indicando a possibilidade de uma tragédia: o acidente com o avião da Gol em setembro do ano passado e o incidente em que um avião da Pantanal saiu da pista de Congonhas, na segunda-feira. "A Infraero não pôde explicar o que havia causado este 'problema'. As autoridades dessa estatal comentavam que a pista havia sido reformada recentemente para evitar precisamente este tipo de situação", disse o Clarín. "A Força Aérea brasileira prometeu investigar que defeitos haviam causado a patinada. Chegou-se a sugerir que podia se tratar de 'falta de perícia' do piloto ou um defeito da aeronave. Entretanto, também se mencionou neste momento que podia haver deficiências na reconstrução da pista." "Ontem, se repetiu o problema. Mas, se na segunda-feira não houve conseqüências, ontem foi uma tragédia." |
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