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Kremlin adverte Grã-Bretanha para 'graves conseqüências' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Kremlin alertou o governo britânico sobre as "graves conseqüências" da expulsão de quatro diplomatas russos da Grã-Bretanha, anunciada na segunda-feira pelo ministro britânico do Exterior, David Miliband. Segundo o porta-voz do Ministério do Exterior da Rússia, Mikhail Kamynin, "a posição de Londres é imoral". "Esse tipo de provocação arquitetada pelas autoridades britânicas não ficará sem uma resposta e acarreta necessariamente as mais graves conseqüências para as relações entre a Rússia e a Grã-Bretanha", disse Kamynin. "Nós não queremos ser provocados para um jogo de pingue-pongue, mas, obviamente, o lado russo vai dar a resposta necessária", afirmou o porta-voz da Presidência da Rússia, Dmitri Peskov. Segundo o jornalista da BBC Jonathan Marcus, especialista em assuntos diplomáticos, é muito provável que a Rússia vá adotar uma resposta equivalente à expulsão dos diplomatas. A decisão britânica foi uma resposta à recusa das autoridades de Moscou em extraditar o ex-espião Andrei Lugovoi, suspeito de envolvimento na morte do também ex-espião russo Alexander Litvinenko. Litvinenko morreu em Londres em novembro de 2006, depois de ter sido envenenado com polônio-210, um elemento radioativo. Lugovoi nega participação na morte de Litvinenko e diz que as acusações contra ele têm motivação política. Sem pedido de desculpas O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que a Grã-Bretanha não vai "pedir desculpas" por expulsar os diplomatas russos. Brown disse quer "boas relações" com a Rússia, mas que a medida foi tomada porque não houve cooperação. "Quando ocorre um assassinato, quando vários civis inocentes são colocados em risco em decorrência desse assassinato e quando uma autoridade de investigação independente deixa absolutamente claro o que é de interesse da justiça e não há sinal de cooperação, então é preciso agir", afirmou o premiê britânico em Berlim, na segunda-feira. A viúva de Litvinenko, Marina, disse estar "muito grata" ao governo britânico pelas medidas tomadas e "orgulhosa de ser uma cidadã britânica". O Ministério do Exterior britânico não divulgou o nome dos diplomatas expulsos, mas a BBC apurou que eles trabalham na área de inteligência. Diante do Parlamento, na segunda-feira, Miliband ressaltou que é necessário mandar um sinal "claro e proporcional" à Rússia sobre a seriedade com a qual a Grã-Bretanha encara as acusações contra Lugovoi. "Devemos rever a extensão de nossa cooperação com a Rússia em várias áreas", disse Miliband. O ministro também ressaltou que há acordos internacionais que determinam que Lugovoi possa ser extraditado para a Grã-Bretanha caso deixe a Rússia. Uma convenção assinada em 1957 garante aos russos o direito de se recusar a extraditar um cidadão do país. Miliband disse, no entanto, que a decisão russa no caso é "extremamente decepcionante" e que tanto a ONU como a União Européia estão preocupados com o fato de que a Rússia aparentemente está aplicando a convenção de acordo com seus próprios interesses. A morte de Alexander Litvinenko, aos 43 anos, provocou grande preocupação em Londres, onde locais freqüentados pelo ex-espião antes de morrer tiveram que ser testados para detectar a presença de radioatividade, e estremeceu as relações diplomáticas entre Rússia e Grã-Bretanha. Antes de morrer, o ex-espião escreveu uma carta em que culpava o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás de sua morte. O governo russo sempre negou a alegação. |
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