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Ex-soldados dos EUA no Iraque irão ao Parapan no Rio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os Jogos Parapan-americanos de 2007 contarão com a participação de ex-soldados americanos que foram feridos em combates no Iraque e acabaram levados a trocar o campo de batalha pela arena esportiva. A competição será realizada no Rio de 12 a 19 de agosto, logo após a disputa dos Jogos Pan-americanos, que começam nesta sexta. Scott Winkler, de 34 anos, é uma das esperanças de medalha de ouro da equipe americana de atletismo paraolímpico. Ele conquistou sua vaga para o Parapan ao bater o recorde mundial da categoria que disputa de arremesso de peso. Ele ficou paraplégico após cair de um caminhão de munição em Tikrit, no Iraque, em 2003. Ele disse ter enfrentado seis meses de depressão profunda após seu acidente, mas o esporte o ajudou a superar o trauma. Atualmente, ele procura auxiliar outros ex-combatentes que sofreram lesões permanentes trabalhando como voluntário em um hospital. ''Um portador de deficiência é uma pessoa como outra qualquer. Assim como eu lutei pelo meu país na guerra, agora quero representar os Estados Unidos como esportista'', afirma o atleta. Recorde A marca recorde de Winkler foi obtida durante o Campeonato de Atletismo Paraolímpico, realizado entre os dias 30 de junho e 2 de julho em Marietta, nos arredores de Atlanta, a capital do Estado americano da Georgia. Winkler disputa na categoria T54, que reúne atletas cadeirantes com diferentes níveis de lesões medulares e amputações. Atualmente, além de esportista, ele também trabalha como voluntário em um hospital onde auxilia outros soldados que sofreram lesões permanentes no Iraque. As diferentes modalidades de atletismo paraolímpico contam com a participação de atletas com deficiências distintas. Uns competem em cadeiras de rodas, outros possuem próteses, e esportistas com deficiências visuais participam de provas fazendo uso de um guia vidente.
Fé na missão Tanto os esportistas que se classificaram para os Jogos Parapan-americanos no Rio 2007 como os que ficaram de fora compartilham da crença de que os Estados Unidos ainda têm uma missão a cumprir no Iraque e se orgulham do trabalho que fizeram no Oriente Médio. ''A missão permanece sendo a mesma, quer você tenha se ferido, quer não. Fizemos muitas coisas boas por lá. Conhecemos várias famílias que tiveram ao menos uma pessoa morta por Saddam. E agora ele não está mais lá'', opina Travis Greene, que perdeu as duas pernas ao ser atingido por um carro-bomba, em Ramadi, em dezembro de 2005. O ex-soldado conta que só veio a sentir o verdadeiro impacto do atentado que o privou de suas pernas após voltar para casa. ''Só dois meses depois de eu sair da UTI é que me dei conta da situação. Até então, eu ficava sob sedativos o tempo todo. Depois disso, foi uma longa estrada. Você não sabe o que o espera lá fora''. Greene, que começou a competir há pouco tempo em corridas de cadeira de rodas, não se classificou para os jogos, porque teve pouco tempo de treinamento. Mas reserva elogios a seu treinador, o brasileiro Joaquim Cruz. Campeão Kortney Clemons, de 27 anos, garantiu sua vaga para os jogos no Rio ao se consagrar campeão nacional de halterofilismo paraolímpico. Ele atuava como médico no Iraque. Em fevereiro de 2005, Clemons e outros três soldados tentaram erguer um veículo tripulado que se acidentou à beira de uma estrada. Mas o veículo foi atingido por uma bomba que matou os outros três companheiros de Clemons e levou à amputação de sua perna direita acima do joelho. Ele foi um atleta durante a universidade, quando jogava futebol americano, basquete e beisebol. Por isso, conta que tornar-se um esportista paraolímpico foi natural. Mesmo tendo se adaptado com facilidade, Clemons afirma não ter conselhos a dar a outros ex-combatentes. ''Não é possível dizer como algo assim pode afetar cada um. Não tenho como dar um diagnóstico ou oferecer sugestões.'' O halterofilista afirma que, ao entrar para o Exército, nunca teve uma ''postura política''. ''Me tornei um militar para fazer um trabalho. Fiz o que tinha de fazer e é só. E acho que defintivamente ainda temos um trabalho a cumprir no Iraque.'' Dividido Brian Wilhelm, de 25 anos, ficou de fora dos Parapan-Americanos, pois teve um fraco desempenho na prova de arremesso de disco, na Georgia, e agora quer se concentrar em conquistar uma vaga nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, em 2008. Ele foi atingido por uma granada durante um combate com insurgentes, em outubro de 2003. Para evitar ser submetido a anos e anos de cirurgias de reconstituição, ele tomou a difícil decisão de ter sua perna amputada abaixo do joelho. Wilhelm afirma que ''obviamente apóio meus irmãos soldados'', mas afirma que começa a ter dúvidas sobre a guerra, quando ''parece que há pessoas dispostas a degradar qualquer coisa feita pelos americanos, quando os moradores locais parecem preferir uma guerra civil do que melhorar suas vidas''. Ele acredita que a mídia oferece ''um retrato exageradamente amargo'' das ações americanas no Iraque, ''nos retratando como sedentos de sangue''. ''Mas estamos não só combatendo insurgentes, como também criando escolas e postos de polícia.'' Sobre a possível retirada americana do Iraque, Wilhelm diz que se sente dividido. ''Não gostaria que mais amigos meus morressem. Mas, por outro lado, não gostaria de ver a repetição do Vietnã, que se tornou uma causa perdida antes mesmo do fim do conflito.'' |
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