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Atualizado às: 19 de junho, 2007 - 08h02 GMT (05h02 Brasília)
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Colombianos treinam policiais afegãos para combater tráfico
O sargento afegão Sayed Naqib Sadat, em treinamento na Colômbia
Naqib foi o único policial afegão a terminar o curso na Colômbia
A experiência colombiana na luta contra o narcotráfico está servindo de exemplo para o Afeganistão.

No último dia 14 de junho, terminou na Colômbia a primeira etapa de um programa de intercâmbio entre os dois países patrocinado pelos Estados Unidos.

Ao fim de 17 semanas de treinamento, apenas um dos cinco policiais afegãos que foram enviados à Colômbia, o sargento Sayed Naqib Sadat, da National Interdiction Unit (NIU, na sigla em inglês), a polícia antinarcóticos do Afeganistão, conseguiu terminar o curso.

Depois de passar por todas as etapas do treinamento das forças especiais da Polícia Nacional colombiana, o sargento afegão se converteu em um "Comando Jungla", ou seja, um especialista na luta contra o narcotráfico.

Os outros quatro policiais afegão enviados à Colômbia não suportaram as exigências do treinamento, que inclui técnicas de sobrevivência, combates em centros urbanos e rurais, operações aquáticas e aéreas e outras atividades realizadas em diferentes regiões do país e sob condições climáticas variadas.

A prova final foi a simulação de um ataque noturno a um grupo de narcotraficantes em uma montanha a mais de 2.650 metros acima do nível do mar.

"Foi um curso realmente duro, especialmente na parte física. Os outros afegãos não estavam preparados e tiveram que desistir antes do final", disse Naqib à BBC.

Além dos cinco afegãos, o treinamento teve também a participação de policiais de El Salvador, Panamá, Equador, Bolívia, Peru, Paraguai e México.

Segundo o capitão colombiano Edgar González a exigência aumentava a cada semana de treinamento, e dos 78 alunos que iniciaram o curso, apenas 58 chegaram ao fim.

Cooperação

Os contatos entre as forças policiais da Colômbia e do Afeganistão foram iniciados ainda em 2005.

Em março deste ano, dois policiais colombianos estiveram em um centro de treinamento da polícia antinarcóticos afegã em Cabul durante dois meses para treinar membros da NIU.

Segundo o porta-voz da embaixada americana em Bogotá, há algumas semanas o comandante da polícia alfandegária do aeroporto internacional de Cabul também esteve na Colômbia para observar o programa de controle aeroportuário antinarcóticos implementado pela polícia colombiana.

Os acordos de cooperação entre os dois países, financiados pelo governo americano, têm o objetivo de levar ao Afeganistão algumas das experiências aprendidas no conflito colombiano.

Treinamento incluiu simulação de ataque noturno a narcotraficantes

Tanto o Afeganistão quanto a Colômbia recebem apoio político e militar dos Estados Unidos, e o atual representante diplomático de Washington em Cabul, William Wood, foi embaixador americano na Colômbia de 2003 a 2007.

Em janeiro passado, em visita a Bogotá, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, o general Peter Pace, afirmou que o modelo colombiano, no qual as Forças Armadas "limparam certas partes de terroristas" e o governo implementou projetos "que trouxeram eletricidade, água e empregos" poderia ser copiado no Afeganistão.

"Esses tipos de programas (...) levados a cabo pelo governo colombiano são um bom modelo a ser considerado pelo presidente (do Afeganistão, Hamid) Karzai, que estuda como reduzir o tamanho do narcotráfico em seu país e oferecer estabilidade e trabalho a seus cidadãos", disse Pace na época.

O governo de George W. Bush considera a luta contra as drogas e a violência na Colômbia um de seus êxitos de política externa.

A colômbia conseguiu reverter a taxa de crescimento de cultivos ilícitos, reduzir os índices de homicídios e seqüestros e melhorar o desempenho econômico.

Alguns críticos, no entanto, são contra copiar no Afeganistão estratégias que, segundo eles, ainda não oferecem resultados definitivos na Colômbia.

Entre as críticas ao modelo colombiano está o fato de que não conseguiu reduzir de maneira significativa a oferta de cocaína proveniente da Colômbia nos Estados Unidos.

Mas, apesar das críticas, o intercâmbio entre a Colômbia e o Afeganistão deverá continuar.

Um porta-voz da embaixada americana em Bogotá disse à BBC que "esses intercâmbios educativos promoveram maior cooperação e entendimento para enfrentar o narcotráfico global".

No segundo semestre, está prevista a ida de outros 30 policiais afegãos à Colômbia para participar de um novo treinamento.

* Com reportagem de Luis Fajardo e Hernando Salazar, da BBC Mundo

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