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Atualizado às: 03 de janeiro, 2007 - 21h27 GMT (19h27 Brasília)
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Exército ajudou a combater violência na periferia de Bogotá

Forças de segurança em Bogotá
Exército foi usado para patrulhar periferia de Bogotá
Em contraste com outras cidades da América Latina, as autoridades de Bogotá, capital da Colômbia, conseguiram reduzir substancialmente a violência e a insegurança de mais de uma década graças a uma receita que combina diversos ingredientes, incluindo o uso do Exército nas periferias.

Além do emprego de tropas na segurança urbana, a experiência colombiana é fruto de um esforço contínuo de vários prefeitos para aumentar o número de policiais e câmeras de vigilância nas ruas, vinculação da cidadania a programas de segurança e maiores investimentos sociais.

Essa estratégia, combinada com programas de desarmamento de civis, conseguiu reduzir a taxa de homicídios de 85 para 18 para cada cem mil habitantes.

O especialista em segurança urbana, Rubén Darío Ramírez, disse à BBC que a taxa de homicídios continua caindo, e que nos próximos dias as autoridades de Bogotá devem revelar novos índices.

Exército

 O Exército só deve atuar em casos extremamente críticos, quando a situação foge do controle
Alfredo Rangel, especialista em segurança

Ramírez enfatiza que a participação do Exército tem sido fundamental no controle das zonas de periferia vizinhas às áreas rurais, onde operam grupos armados, como guerrilhas e paramilitares.

“Em 2007, a prefeitura de Bogotá vai repassar cinco milhões de pesos (cerca de R$ 4 milhões) ao Exército para essas tarefas”, afirma.

Para Alfredo Rangel, especialista em segurança e diretor da Fundación Seguridad y Democracia, a participação do Exército no controle da segurança urbana deve ser marginal e submetida ao comando da polícia.

“A segurança urbana é um trabalho especificamente policial. A polícia deve contar com força suficiente e com um sistema de inteligência eficaz. O Exército só deve atuar em casos extremamente críticos, quando a situação foge do controle”, afirmou Rangel à BBC.

A situação era muito diferente em meados dos anos 90, quando Bogotá sofreu com as batalhas do narcoterrorismo, que incluíam explosões de bombas em locais públicos, ações de assassinos profissionais e crescimento no número de homicídios.

Ramírez disse que além das frentes de segurança montadas nos bairros e dos pactos de convivência promovidos junto a autoridades locais e líderes comunitários, nos últimos três anos a cidade aumentou em dois mil o número do efetivo de policiais nas ruas.

A contratação de novos policiais é financiada pelo governo federal. Na Colômbia, a polícia é uma força nacional, comandada por um dirigente indicado pelo presidente da República.

Militantes das Farc
Grupos guerrilheiros e paramilitares atuam próximos à cidade

Taxistas e segurança

Ramírez também destaca os progressos alcançados com a ajuda de 48 mil taxistas que usam comunicação por rádio para denunciar atos suspeitos a uma central da polícia.

De acordo com o especialista, estudos também revelaram geograficamente onde se concentram os delitos e a freqüência da ação dos crimininosos ao longo da cidade.

“Isso permite que as autoridades enfoquem seus esforços onde é mais necessário”, afirma.

A prefeitura de Bogotá criou um sistema unificado de informação de violência e delinqüência, que facilita na tomada de decisão sobre como combater o crime.

Rangel, da Fundación Seguridad y Democracia, também destaca a importância da cidadania vinculada às tarefas de segurança.

“Se não há cooperação ativa, nem compromisso dos cidadãos para a guarda da própria segurança, o crime organizado tem campo aberto para ações delinquentes”, diz Rangel.

Segundo ele, é necessário investimento social por parte do Estado.

“Isso permite o melhor aproveitamento do tempo livre dos jovens, principalmente em bairros marginais das cidades.”

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