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Governo Sarkozy recebeu 'tapa' das urnas, diz jornal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A vitória muito aquém do esperado no segundo turno das eleições legislativas francesas é “um tapa no governo” do presidente Nicolas Sarkozy, na avaliação feita nesta segunda-feira pelo diário parisiense Le Figaro. O esperado tsunami político da direita no segundo turno das eleições legislativas, realizado no domingo, não aconteceu. O partido UMP, do presidente Nicolas Sarkozy, obteve ampla maioria na Câmara dos Deputados, mas perdeu 46 cadeiras em relação às eleições de 2002. “A vitória no segundo das eleições legislativas tem um gosto amargo. É um tapa no governo. De uma onda azul (referência à cor do partido UMP) passamos em oito dias à uma vitória clara, mas decepcionante”, descreveu o Figaro. Projeções no primeiro turno indicavam que a direita poderia obter até 501 das 577 cadeiras do parlamento. No entanto, o UMP e seus aliados, de acordo com dados do Ministério francês do Interior, obtiveram 345 cadeiras. Desse total, 313 foram obtidas pelo partido de Sarkozy. Na legislatura atual, o UMP e seus aliados têm 398 deputados. Espuma Para a imprensa francesa, do previsto tsunami da direita "restou apenas a espuma da onda". A esperada vitória esmagadora da direita não ocorreu porque o Partido Socialista, contrariando as expectativas, conseguiu reagir e não só evitar uma derrota expressiva, mas também conquistar 37 deputados a mais do que na atual legislatura. O Partido Socialista obteve 186 cadeiras, segundo o Ministério do Interior. No total, a esquerda francesa, incluindo o Partido Comunista e o Partido Verde e pequenos partidos, terá 227 cadeiras. Analistas e também políticos do UMP estimam que a vitória menos ampla da direita do que prevista é devida sobretudo a dois fatores. O principal deles seria uma rejeição do eleitorado ao projeto de reforma do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, chamado TVA na França, que prevê o aumento da alíquota de um novo tributo para financiar o déficit da Previdência Social. A ampla maioria na Câmara dos Deputados deve permitir de qualquer forma a Sarkozy implementar as reformas prometidas, estimam analistas. Mas agora o governo recebeu sinais de que elas poderão não ser tão facilmente implementadas. “Os resultados indicam que a política do governo não é aceita por todos e poderá ter de se inclinar a essa realidade. Esse será o papel da oposição no parlamento”, afirmou François Hollande, secretário-geral do PS. Mobilização Outra razão que impediu a vitória esmagadora seria o fato de que os eleitores da direita, acreditando que o amplo sucesso já estava garantido, não teriam se mobilizado como no primeiro turno. O Movimento Democrático, novo partido de centro criado por François Bayrou, terceiro colocado nas eleições presidenciais, com quase 7 milhões de votos, conseguiu eleger apenas 3 deputados, sendo um deles o próprio Bayrou. O partido de extrema direita Front National, do líder Jean-Marie Le Pen, não conquistou nenhuma cadeira na Câmara dos Deputados. Estas eleições também foram marcadas pela derrota do ministro da Ecologia e do Desenvolvimento Sustentável, Alain Juppé, tido como o homem forte do governo Sarkozy. Ele foi o único dos onze ministros candidatos que não conseguiu se eleger e já apresentou sua demissão do governo. Juppé perdeu em Bordeaux, cidade onde é prefeito e que é dominada pela direita há décadas. O primeiro-ministro, François Fillon, que se elegeu deputado já no primeiro turno (na França é possível cumular mandatos) já recebeu nesta manhã do presidente Sarkozy a missão de realizar um remanejamento ministerial. Outro fato marcante deste segundo turno foi o anúncio da separação de Ségolène Royal, candidata socialista derrotada nas eleições presidenciais, de seu marido François Hollande, secretário-geral do PS. Royal já declarou que gostaria de substituir Hollande na liderança do Partido Socialista. A mudança do comando do PS deve ser decidida no próximo congresso do partido, em 2008. |
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