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Atualizado às: 11 de junho, 2007 - 12h44 GMT (09h44 Brasília)
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Estupro e aborto inspiram obra de artista britânica na Bienal de Veneza

Obra de Tracey Emin
Tracey Emin expõe vários trabalhos com mulheres de pernas abertas
A artista britânica Tracey Emin mais uma vez está causando furor no mundo das artes, dessa vez com sua exposição na 52ª Bienal de Arte de Veneza, onde retrata vários pênis e mulheres de pernas abertas em obras inspiradas na sua própria experiência com abuso sexual e aborto.

Em Borrowed Light, Emin apresenta o corpo e a própria sexualidade como fonte e objeto da sua arte.

Detalhes íntimos da sua vida, como o abuso sofrido durante a infância e dois abortos, são apresentados pela primeira vez nesta série que ela classifica como a mais clássica da sua carreira.

“É o trabalho mais feminino que realizei até agora”, disse durante a vernissage no pavilhão britânico na Bienal, vestida com um terninho branco e camisa listrada com os primeiros botões abertos, mostrando o sutiã preto abaixo da roupa. “É muito sensual, bem definido graficamente e, ao mesmo tempo, bonito e difícil.”

Pintura de Tracey Emin
Mulheres de pernas escancaradas são motivo presente na exposição

Tracey utiliza bordado, neon, desenho e pintura para mostrar seu realismo emotivo. Apenas numa das seis salas onde está a nova exibição feita especialmente para a mostra veneziana estão 19 desenhos de pênis, numa referência ao período em que foi violentada.

Abortos

Em outra, chamada Abortion Watercolours estão 27 aquarelas sobre os abortos feitos, sendo que o mais duro foi o de 1990, que a devastou física e mentalmente. A culpa sentida é expressada no prefácio desta série em que ela conta como se sentiu culpada e triste por ter abortado.

“Certamente estou vivendo o ápice da minha carreira”, disse a artista nascida em Londres em 1963. “À medida que estou ficando mais velha, meu trabalho está indo para um caminho muito mais pessoal e intimista.”

Tracey é a segunda artista britânica a ganhar uma mostra individual no pavilhão da Grã-Bretanha, localizado no Giardini da Bienal. A primeira foi Rachel Whiteread em 1997.

Obra de Tracey Emin
Tracey Emin é a segunda britânica a ter mostra individual no pavilhão da Inglaterra

Tratada como uma das grandes celebridades da edição da Bienal deste ano, a artista inglesa teve uma das mais concorridas inaugurações.

Ela também foi a estrela de uma das mais badaladas e exclusivas festas que ocorreram em Veneza antes da abertura oficial da Bienal para o público no domingo.

Entre os convidados especiais que estiveram em Veneza apenas para encontrá-la e apreciar suas obras estavam Elton John e Naomi Campbell.

Entre os trabalhos mais provocantes de Tracey estão My Bed, que visitou galerias em metade do mundo e causou controvérsia quando foi exposto na mostra do Turner – o prêmio mais importante de arte concedido na Grã-Bretanha -, em 1999, por mostrar sua própria cama desfeita, com lençóis, absorventes e camisinhas usadas, garrafas de vodka vazias e restos de cigarros.

Obra de Tracey Emin
Temas sexuais sempre estiveram presentes na obra de Tracey Emin

Contiribuiu também para a fama internacional Everyone I Ever Slept With From 1963 to 1995, uma pequena barraca bordada com os nomes de todas as pessoas que dormiram com ela.

“Eu sempre desenhei e pintei. Mas a maioria das pessoas me conhece apenas por causa da cama e da barraca”, disse ela desapontada. “A barraca era sobre intimidade e a noção de dormir. Já a cama era sobre minha intimidade, meu medo, como uma mulher desmaiando.”

Segundo Tracey, que sempre usou sua própria experiência de vida como tema de seus trabalhos, a exibição em Veneza é mais clássica devido a importância da mostra e por estar representando toda a Grã-Bretanha.

“Acho que desta vez ela não queria polemizar”, disse a curadora japonesa Yuko Maeda. “É uma mostra provocativa. Reflete o que ela sente no momento, a relação dela com o sexo e o próprio corpo.”

Durante entrevista coletiva aos jornalistas presentes na Bienal, Tracey agradeceu as primeiras mulheres que conseguiram entrar com sucesso no mundo essencialmente masculino da arte.

“Estas mulheres me ajudaram a fazer hoje o que eu gosto”, afirmou. “Isto aconteceu há 30 anos com pessoas que trabalharam fortemente para dar uma face feminine à arte.”

A artista inglesa disse ainda que não consegue entender porque as mulheres ganham muito menos do que os homens. De acordo com ela, esta é a grande pergunta que precisa ser respondida: por que os trabalhos de homens com a mesma reputação e mesmo idade das artistas mulheres são sempre vendidos por muito mais dinheiro.

Detalhe do MorrinhoArte e tijolos
Miniatura de favela carioca é destaque na Bienal de Veneza.
Leon FerráriEm imagens
Polêmica e interação marcam mostra.
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