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Proposta de Bush para clima é retrocesso, dizem ambientalistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As principais entidades ambientalistas americanas acreditam que a proposta que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, levará para a reunião do G8 na Alemanha representa um retrocesso e uma distração. O líder americano propôs que os 14 maiores poluentes se unam em uma nova proposta mundial para combater a mudança climática, até o final de 2008. As discussões sobre a redução de gases causadores do aquecimento global devem dominar a reunião do grupo formado pelos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia, na cidade alemã de Heiligendamm, que começa nesta quarta-feira. ''Todos esses países viriam a Washington e discutiram o que eles pretendem fazer espontaneamente. É um grande passo para trás em termos de discussões sobre o aquecimento global e de cronogramas já estabelecidos pela ONU para reduzir emissões de gases poluentes'', diz John Coequyt, especialista em energia do Greenpeace, em Washington. No entender de Janet Larsen, diretora de pesquisas do instituto ambiental Earth Policy Institute, a proposta de Bush é uma distração. ''Os Estados Unidos tentam desviar a atenção do mundo dos objetivos ambiciosos estabelecidos pelos países europeus, sob a liderança de Angela Merkel.'' Proposta descartada Bush já descartou adotar a proposta européia, apresentada pela chanceler alemã, que estabelece uma meta para evitar que as temperaturas globais aumentem em 2°C acima dos níveis anteriores à industrialização. Para alcançar esta marca, o bloco europeu planeja até 2050 cortar emissões abaixo dos níveis de 1990. Os países da Europa querem que as negociações se dêem sob os auspícios da ONU. Além de colocar o projeto europeu de lado, Bush ainda afirmou que as nações mundiais deveriam chegar a uma meta para a emissão de redução de gases causadores do aquecimento global até o final de 2008. Opção ''Tudo o que ele diz é: 'Sigam-me', em algum plano ainda a ser divulgado. O resto do mundo tem toda razão de desconfiar dessa proposta. Mesmo porque outros haviam proposto soluções verdadeiras e ele as descartou sem motivo'', afirma Dan Becker, diretor do programa de aquecimento global do Sierra Club, o maior e mais antigo grupo ambientalista dos Estados Unidos. Para Becker, ao eliminar as propostas internacionais, o líder americano opta por medidas polêmicas, de alto custo e de baixo aproveitamento energético, como a de investir em energia nuclear e construir usinas movidas a ''carvão limpo''. ''O que precisamos é de energia renovável, de automóveis que façam uso mais eficaz de energia. O aproveitamento energético é sete vezes mais vantajoso, do ponto de vista econômico, do que a tecnologia nuclear'', afirma Becker. EUA x China O líder americano costuma justificar a não ratificação do Protocolo de Kyoto e a não aceitação de propostas que imponham aos Estados Unidos a redução de emissões de gases poluentes argumentado que as principais potências emergentes, como a Índia e a China, deveriam ter de acatar as mesmas regras. Os ambientalistas descartam essa hipótese. ''Os Estados Unidos continuam a apontar a China como sendo o principal problema. Mas não há dúvida de que os Estados Unidos são o principal problema. A emissão de gases poluentes per capita gerada pelos dos chineses representa apenas uma mera fração da emissão americana'', diz John Coequyt. De acordo com Janet Larsen, ao não aceitar quaisquer metas de redução de poluentes, os Estados Unidos também prestam um mau exemplo para a China. ''A China agora adota uma postura semelhante à nossa. Eles divulgaram um plano recentemente no qual também descartam a imposição de reduções de emissões.'' Desfecho do G8 Os ambientalistas são céticos de que alguma proposta de peso em relação à política saia da reunião do G8. "As reuniões do G8 costumam funcionar desta forma: um país se opõe e obriga todas as negociações a serem reescritas. O que poderá acontecer é que os países que têm sentimentos fortes a respeito do tema poderão provocar uma confrontação, mas, no final, os Estados Unidos deverão sair do encontro com o texto que querem'', diz John Coequyt. Dan Becker acredita que Bush está tentando postergar a necessidade de tomar uma atitude em relação ao aquecimento global. Ele crê que Bush poderá ser forçado a agir devido à pressão da opinião pública americana e à ação do Congresso, que deverá apresentar um projeto sobre energia na próxima semana. Mas crê que essas ações ocorreriam de médio a longo prazo. ''Não estou otimista que o presidente queira solucionar o problema do aquecimento global. No curto prazo, não creio que ele irá tomar qualquer ação concreta'', afirma. |
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