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Atualizado às: 23 de maio, 2007 - 11h46 GMT (08h46 Brasília)
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Papa ameniza 'gafe' sobre índios cometida no Brasil

Bento 16 abençoa fiéis no Vaticano antes da missa dos seus 80 anos
Papa foi duramente criticado no Brasil por declarações sobre evangelização dos índios
O papa Bento 16 procurou amenizar em um discurso nesta quarta-feira os efeitos das declarações que deu no Brasil a respeito da evangelização de índios pelos colonizadores europeus.

O sumo pontífice havia dito durante sua viagem ao Brasil que a evangelização na América Latina não foi imposta e nem alienou os índios mas agora ele admitiu que ocorreram excessos durante o processo histórico, iniciado com a chega dos Europeus ao continente.

"O anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira", havia dito o papa em seu último dia no Brasil, ao discursar na na inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP).

Mas, ao fazer um balanço da visita durante a tradicional audiência das quartas-feiras, Bento 16, amenizou suas declarações.

"Não podemos ignorar os sofrimentos e as injustiças impostas pelos colonizadores às populações indígenas, cujos direitos humanos e fundamentais foram freqüentemente ultrajados", disse.

Enquanto se referia à evangelização no continente, Bento 16 classificou de "crimes injustificáveis", os excessos cometidos pelos colonizadores e disse que estes já tinham sido condenados antes por missionários como Bartolomeu de las Casas e teólogos como Francisco de Vitória, da Universidade de Salamanca, na Espanha.

No entanto, Bento 16 disse que o Evangelho contribuiu de modo determinante para a cultura latino-americana, e ainda hoje pode iluminar o seu crescimento.

"Na época da globalização, esta identidade se apresenta ainda como a resposta mais adequada aos desafios de hoje, desde que seja incrementada por uma séria formação espiritual e dos princípios da doutrina social da Igreja", afirmou o papa.

'Reducionismo'

Bento 16 recordou ter pedido aos bispos brasileiros, em São Paulo e em Aparecida, que tenham cuidado com o risco de "leituras reducionistas" do Evangelho, que podem transformá-lo em um manifesto político.

"O Brasil é um grande país que guarda valores cristãos profundamente enraizados, mas vive também enormes problemas sociais e econômicos", afirmou. "A Igreja deve mobilizar todas as forças espirituais e morais das suas comunidades, buscando oportunas convergências com as outras energias saudáveis do país."

Entre os elementos positivos da Igreja brasileira, o papa indicou a criatividade e a fecundidade, nas quais nascem novos movimentos e institutos de vida consagrada, além da dedicação dos fiéis laicos.

O papa elogiou a iniciativa da Fazenda da Esperança, visitada por ele durante a viagem, na recuperação de jovens que querem abandonar o vício das drogas, e classificou como emblemática a canonização do Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro.

"Este sacerdote franciscano do século 18, devotíssimo da Virgem Maria, apóstolo da Eucaristia e da Confissão, foi chamado ainda vivo homem de paz e de caridade", disse. "O seu testemunho é uma posterior confirmação que a santidade é a verdadeira revolução, que pode promover a autêntica reforma da Igreja e da sociedade."

O pontífice afirmou que o encontro com os jovens foi outro momento importante da viagem, uma "festa da esperança". De acordo com ele, a juventude não é apenas a esperança para o futuro, mas também força vital para o presente da Igreja e da sociedade.

Bento 16 lembrou de ter convidado os jovens para ter estima pelo matrimônio e permanecer no caminho que conduz a isso, na castidade e na responsabilidade.

Frei Galvão

Durante a audiência, o papa disse que, depois de dois anos de pontificado teve finalmente a felicidade de poder visitar a América Latina, "que tanto amo e onde vive grande parte dos católicos do mundo".

"Agradeço ao presidente do Brasil e a outras autoridades civis pela cordial e generosa colaboração", afirmou. "Com grande afeto, agradeço ao povo brasileiro pelo calor com que me recebeu, que foi verdadeiramente grande, e pela atenção que prestou às minhas palavras."

Na parte final de seu balanço sobre a visita ao Brasil, o papa confiou à Virgem Maria - venerada com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina - e ao novo santo brasileiro Frei Galvão "os frutos desta inesquecível viagem apostólica".

Durante os agradecimentos na audiência desta quarta-feira, o agradeceu, em português, aos "inúmeros brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília" presentes na Praça de São Pedro.

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