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Papa ameniza 'gafe' sobre índios cometida no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O papa Bento 16 procurou amenizar em um discurso nesta quarta-feira os efeitos das declarações que deu no Brasil a respeito da evangelização de índios pelos colonizadores europeus. O sumo pontífice havia dito durante sua viagem ao Brasil que a evangelização na América Latina não foi imposta e nem alienou os índios mas agora ele admitiu que ocorreram excessos durante o processo histórico, iniciado com a chega dos Europeus ao continente. "O anúncio de Jesus e de seu Evangelho não supôs, em nenhum momento, uma alienação das culturas pré-colombianas, nem foi uma imposição de uma cultura estrangeira", havia dito o papa em seu último dia no Brasil, ao discursar na na inauguração da 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, em Aparecida (SP). Mas, ao fazer um balanço da visita durante a tradicional audiência das quartas-feiras, Bento 16, amenizou suas declarações. "Não podemos ignorar os sofrimentos e as injustiças impostas pelos colonizadores às populações indígenas, cujos direitos humanos e fundamentais foram freqüentemente ultrajados", disse. Enquanto se referia à evangelização no continente, Bento 16 classificou de "crimes injustificáveis", os excessos cometidos pelos colonizadores e disse que estes já tinham sido condenados antes por missionários como Bartolomeu de las Casas e teólogos como Francisco de Vitória, da Universidade de Salamanca, na Espanha. No entanto, Bento 16 disse que o Evangelho contribuiu de modo determinante para a cultura latino-americana, e ainda hoje pode iluminar o seu crescimento. "Na época da globalização, esta identidade se apresenta ainda como a resposta mais adequada aos desafios de hoje, desde que seja incrementada por uma séria formação espiritual e dos princípios da doutrina social da Igreja", afirmou o papa. 'Reducionismo' Bento 16 recordou ter pedido aos bispos brasileiros, em São Paulo e em Aparecida, que tenham cuidado com o risco de "leituras reducionistas" do Evangelho, que podem transformá-lo em um manifesto político. "O Brasil é um grande país que guarda valores cristãos profundamente enraizados, mas vive também enormes problemas sociais e econômicos", afirmou. "A Igreja deve mobilizar todas as forças espirituais e morais das suas comunidades, buscando oportunas convergências com as outras energias saudáveis do país." Entre os elementos positivos da Igreja brasileira, o papa indicou a criatividade e a fecundidade, nas quais nascem novos movimentos e institutos de vida consagrada, além da dedicação dos fiéis laicos. O papa elogiou a iniciativa da Fazenda da Esperança, visitada por ele durante a viagem, na recuperação de jovens que querem abandonar o vício das drogas, e classificou como emblemática a canonização do Frei Galvão, o primeiro santo brasileiro. "Este sacerdote franciscano do século 18, devotíssimo da Virgem Maria, apóstolo da Eucaristia e da Confissão, foi chamado ainda vivo homem de paz e de caridade", disse. "O seu testemunho é uma posterior confirmação que a santidade é a verdadeira revolução, que pode promover a autêntica reforma da Igreja e da sociedade." O pontífice afirmou que o encontro com os jovens foi outro momento importante da viagem, uma "festa da esperança". De acordo com ele, a juventude não é apenas a esperança para o futuro, mas também força vital para o presente da Igreja e da sociedade. Bento 16 lembrou de ter convidado os jovens para ter estima pelo matrimônio e permanecer no caminho que conduz a isso, na castidade e na responsabilidade. Frei Galvão Durante a audiência, o papa disse que, depois de dois anos de pontificado teve finalmente a felicidade de poder visitar a América Latina, "que tanto amo e onde vive grande parte dos católicos do mundo". "Agradeço ao presidente do Brasil e a outras autoridades civis pela cordial e generosa colaboração", afirmou. "Com grande afeto, agradeço ao povo brasileiro pelo calor com que me recebeu, que foi verdadeiramente grande, e pela atenção que prestou às minhas palavras." Na parte final de seu balanço sobre a visita ao Brasil, o papa confiou à Virgem Maria - venerada com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América Latina - e ao novo santo brasileiro Frei Galvão "os frutos desta inesquecível viagem apostólica". Durante os agradecimentos na audiência desta quarta-feira, o agradeceu, em português, aos "inúmeros brasileiros de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Brasília" presentes na Praça de São Pedro. |
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