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Fé e política devem ficar separados, diz papa em livro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O papa Bento 16 diz em seu livro Jesus de Nazaré, que está sendo lançado nesta sexta-feira no Vaticano, que fé e política devem ficar separados. Na obra, o pontífice afirma que "a luta pela liberdade da Igreja, para que o reino de Jesus não seja identificado com nenhuma estrutura política, deve ser conduzida em todos os séculos" e que o "reino de Deus não está nos mapas, mas dentro dos homens". "O Império cristão tentou transformar a fé em fator político. A fraqueza da fé, a fraqueza terrena de Jesus, devia ser substituída pelo poder político e militar." "Ao longo dos séculos, esta tentação se apresentou de formas diferentes, e a fé sempre correu o risco de ser sufocada pelo abraço do poder. A fusão entre fé e poder político tem sempre um preço", escreveu o papa. Anticristo No texto, de 488 páginas, o papa analisa a figura do fundador do Cristianismo, do batismo no Rio Jordão até a Transfiguração. A tese central é o reconhecimento da validade dos Evangelhos como fonte histórica no estudo da vida de Cristo. Na visão de Joseph Ratzinger, a luta entre Jesus e o diabo não aconteceu só nos textos que contam a vida de Cristo, mas ocorre "em todas as épocas", na disputa por uma correta interpretação da Bíblia e de uma definição de Deus. Esta disputa é descrita no capítulo dedicado às tentações que Cristo sofre por parte de Satanás, pouco antes de ser preso e crucificado. Neste capítulo, o papa cita o anticristo e compara esta figura a quem diz que interpretar a Bíblia por meio da fé é fundamentalismo. "O anticristo nos diz então, em atitude de grande erudito, que uma exegese que interpreta a Bíblia na perspectiva da fé em Deus vivente, dando-lhe ouvidos, é fundamentalismo; apenas a sua exegese, a exegese considerada como autenticamente científica, em que Deus não diz nada e não tem nada a dizer, é atual." A adoração ao diabo na atualidade pode ter a forma da excessiva valorização da razão, diz Bento 16. Marx O texto cita também algumas histórias contadas por Jesus a seus discípulos e faz comparações com a atualidade, elogiando Karl Marx, teórico do comunismo. Jesus de Nazaré foi traduzido em 20 línguas e estará à venda a partir de 16 de abril, quando o papa faz 80 anos. A obra está sendo lançada primeiro em Itália, Alemanha e Polônia. No Brasil, o lançamento deve ocorrer durante a visita do pontífice ao país, em maio. O livro é a primeira parte de uma obra em dois volumes. O segundo, que ainda não tem data para ser publicado, vai tratar da infância de Jesus, da paixão e da ressurreição. |
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