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Sem Blair, relação britânica com EUA deve mudar | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush e Tony Blair tiveram na quinta-feira o último encontro oficial na Casa Branca e se despediram ao seu estilo, sem arrependimentos pela empreitada no Iraque, apesar do preço que estão pagando pelo investimento. O primeiro-ministro da Grã-Bretanha está deixando o poder após 10 anos carregando o fardo iraquiano, o que aliás acelerou sua partida. Bush ficará no cargo até janeiro de 2009 e carrega a carga cada vez mais pesada. No entanto, na quinta-feira os dois insistiram que agiram de forma correta e trocaram elogios pelo feito. Para Bush, Blair é um "pensador claro e estratégico". Para o líder britânico, o dirigente americano tem sido um homem "determinado, firme e que não se rende". Blair não se arrepende, mas como, de fato, é pensador estratégico, ele tem uma visão mais clara do preço que pagou pelo Iraque e pelos seis anos de relação privilegiada com Bush (o que levou muitos críticos a cunhá-lo de "poodle" do presidente americano). Blair também tem mais pressa para influenciar o seu legado e por esta razão sempre que pode recorre à narrativa da invasão do Iraque como uma guerra justa. Legado Há pontos altamente positivos no legado de Blair, como forjar a paz na Irlanda do Norte e refazer o Partido Trabalhista como um inquilino natural do poder, mas o peso da carga iraquiana é avassalador. A história talvez seja mais generosa com Blair, mas nos "obituários políticos" instantâneos que acompanham sua partida do poder existe menos condescendência por ele ter apostado suas fichas em Bush, e por extensão, no Iraque. Em uma visão mais caridosa (e os bons samaritanos são mais freqüentes em Washington do que em Londres), Blair pode ser perdoado por sua fidelidade ao projeto iraquiano de Bush porque ao menos foi movido por nobres intenções. Mas mesmo em Washington há visões menos caridosas, até implacáveis. Zbigniew Brzezinski, que foi assessor de segurança nacional no governo do democrata Jimmy Carter, disse que com freqüência Blair foi um porta-voz eloqüente do "unilateralismo cru" de Bush. Nestes termos, ele não soube usar sua relação privilegiada para ser mais construtivo e em última instância assumiu o papel de subordinado, ou seja, foi o "poodle" da imagem mais caricatural. Richard Haass, hoje presidente do Council on Foreign Relations, em Nova York, e que trabalhou no Departamento de Estado no governo Bush, ressalta que Blair fez a "escolha estratégica correta" ao se alinhar de forma incondicional com os EUA após os atentados do 11 do setembro. Seu azar foi o governo Bush ter embarcado na guerra desastrosa do Iraque. Para Haass, o primeiro-ministro britânico não tinha poder para domar os instintos mais selvagens de Bush e os americanos teriam ido à guerra de qualquer forma, mesmo sem o seu suporte. Haass apenas lamenta que Blair tenha fracassado em exercer suficiente influência sobre a política externa americana após a invasão. Blair obviamente pagou um preço mais alto nesta relação privilegiada com Bush. Relações íntimas O presidente americano tem razão de sobra para lamentar a partida do porta-voz eloqüente de suas causas. Há consolos para Bush porque saíram de cena figuras como o francês Jacques Chirac e o alemão Gerhard Schroeder, que o atazanaram nos dias que antecederam e que se seguiram à invasão do Iraque. Estão aí agora Angela Merkel e Nicolas Sarkozy. Em breve será a chegada ao poder de Gordon Brown, o sucessor trabalhista de Blair. Pelo desgaste sofrido por Blair nestes seis anos de relação privilegiada com Bush, Brown naturalmente buscará uma certa distância desta Casa Branca, mas ele mantém proximidade com os círculos democratas e o partido tem ótimas chances de reocupar a Casa Branca após as próximas eleições presidenciais. Ademais Brown tem mais familiaridade com a vida americana do que Blair quando ele chegou ao poder há dez anos. O sucessor também buscará laços transatlânticos mais estreitos, em melhor coordenação com os parceiros europeus da Grã-Bretanha. As íntimas relações estratégicas entre Washington e Londres devem persistir (aqui existe um determinismo histórico), mas com a partida de Blair e a chegada de Brown elas terão um componente de fato menos canino. |
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