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Atualizado às: 13 de maio, 2007 - 20h50 GMT (17h50 Brasília)
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Confira os principais trechos do discurso de Bento 16 aos bispos

Papa Bento 16 celebra missa em Aparecida
Pontífice não poupou críticas ao capitalismo e ao marxismo
O papa Bento 16 abriu neste domingo a 5ª Conferência Episcopal da América Latina e do Caribe com um discurso em que criticou o marxismo e o capitalismo e defendeu a independência política de ação da Igreja.

Além disso, falou sobre os desafios da Igreja na América Latina, o papel dos leigos na pregação do Evangelho e a situação da mulher na região.

Para os sacerdotes latino-americanos, o pronunciamento na abertura na Celam era o mais aguardado da viagem de Bento 16 ao Brasil.

A partir de domingo, os bispos de toda América Latina discutem os rumos da Igreja na região. A última Conferência Geral da América Latina foi realizada em 1992.

Confira abaixo os principais trechos do discurso do papa na abertura do evento.

Mulher

Em algumas famílias da América Latina, persiste ainda por desgraça uma mentalidade machista, ignorando a novidade do Cristianismo que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem.

As mães que queiram dedicar-se plenamente à educação de seus filhos e ao serviço da família hão de gozar das condições necessárias para poder fazê-lo, e para isso têm direito a contar com o apoio do Estado

Política

Na América Latina e no Caribe, como em outras regiões, se evoluiu até a democracia, ainda que haja motivos de preocupação ante formas de governos autoritárias ou sujeitas a certas ideologias que se acreditava superadas, e que não correspondem à visão cristã do homem e da sociedade, como nos ensina a doutrina social da Igreja.

Por outra parte, a economia liberal de alguns países latino-americanos deverá ter presente a igualdade, pois seguem aumentando os setores sociais que se vêem provados cada vez mais por uma pobreza enorme ou incluído espoliados dos próprios bens naturais.

O que é esta realidade? O que é o real? São realidade somente os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos?

Aqui está precisamente o erro das tendências dominantes no último século, erro destrutivo, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas, como também dos capitalistas.

Falsificam o conceito da realidade com a amputação da realidade fundamental e por isso decisiva, que é Deus. Quem exclui Deus de seu horizonte, falsifica o conceito de realidade e, em conseqüência, só pode terminar em caminhos equivocados e com receitas destrutivas.

A primeira afirmação fundamental é, portanto, a seguinte: só quem reconhece a Deus reconhece a realidade e pode responder a ela de modo adequado e realmente humano. A verdade desta tese resulta evidente, ante o fracasso de todos os sistemas que põem Deus entre parênteses.

Crítica ao marxismo e ao capitalismo

Chegado este ponto, podemos nos perguntar: “Como a Igreja pode contribuir para a solução dos urgentes problemas sociais e políticos e responder ao grande desafio da pobreza e da miséria?”

Os problemas da América Latina e do Caribe, assim como do mundo de hoje, são múltiplos e complexos e não podem ser enfrentados com programas gerais.

Sem dúvida, a questão fundamental sobre o modo como a Igreja, iluminada pela fé de Cristo, deve reagir diante destes desafios preocupa a nós todos.

Tanto o capitalismo como o marxismo prometeram encontrar o caminho para a criação de estruturas justas e afirmaram que estas, uma vez estabelecidas, funcionariam por si mesmas.

Afirmaram que não só não havia necessidade de uma moralidade individual prévia, mas que também elas fomentariam uma moralidade comum. E estas promessas ideológicas se mostraram falsas.

O sistema marxista, onde governou, não só deixou uma triste herança de destruições econômicas e ecológicas, como também uma dolorosa destruição do espírito.

E o mesmo vemos também no Ocidente, onde cresce constantemente a distância entre pobres e ricos, e se produz uma inquietante degradação da dignidade pessoal com a droga, o álcool e os sutis prazeres de felicidade.

Papel Político da Igreja

Este trabalho político não é competência da Igreja. O respeito a uma saudável laicidade – incluindo a pluralidade das posições políticas – é essencial na tradição cristã autêntica.

Se a Igreja começasse a se transformar diretamente em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça, faria menos, porque perderia a sua independência e a sua autoridade moral, identificando-se com uma única via política e com posições parciais questionáveis.

A Igreja é advogada da justiça e dos pobres precisamente por não se identificar com os políticos e com os interesses dos partidos. Só sendo independente é que pode ensinar os grandes critérios e os valores inquestionáveis.

Globalização

No mundo de hoje, acontece o fenômeno da globalização como uma confusão de relações no nivel planetário.

Na medida em que certos aspectos são um resultado da grande família humana e um sinal de profunda aspiração à unidade, se dúvida comporta também o risco dos grandes monopólios e de se converter o lucro em valor supremo.

Como em todos os campos da atividade humana, a globalização deve reger-se também pela ética, colocando tudo a serviço da pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus.

Meios de comunicação

Neste campo (da catequese), não devemos limitar-nos somente às homilias, conferências, cursos de Bíblia ou teologia, sem recorrer também aos meios de comunicação: imprensa, rádio e televisão, sítios de internet, foros e tantos outros sistemas para comunicar eficazmente a mensagem de Cristo a um grande número de pessoas.

Pobreza latino-americana

Os povos latino-americanos e caribenhos têm direito a uma vida plena, própria dos filhos de Deus, com condições mais humanas, livres da ameaça da fome e de toda forma de violência. Neste contexto, me é grato recordar a encíclica Populorum progressio (que) convida todos a suprimir as graves desigualdades sociais e as enormes diferenças em acesso aos bens.

Evangelização por leigos

O encontro com Cristo e a Eucaristia suscitam o compromisso da evangelização e o impulso à solidariedade. Despertam no cristão o forte desejo de anunciar o Evangelho e de testemunhá-lo na sociedade, para que seja mais justa e humana.

Quero dirigir-me também aos religiosos e às religiosas e aos leigos e leigas consagradas. A sociedade latino-americana tem necessidade de vosso testemunho.

Nesta hora em que a Igreja deste continente se entrega plenamente à sua vocação missionária, lembro aos leigos que são também da igreja, assembléia convocada por Cristo, para levar o seu testemunho ao mundo inteiro.

Todos os homens e mulheres batizados devem tomar consciência de que foram configurados com Cristo sacerdote, profeta e pastor, através do sacerdócio comum do povo de Deus. Devem sentir-se co-responsáveis na construção da sociedade segundo os critérios do Evangelho, com entusiasmo e audácia, em comunhão com os seus pastores.

Eles (os leigos e leigas) são chamados para levar ao mundo o testemunho de Jesus Cristo e ser o fermento do amor de Deus na sociedade.

Educação religiosa

Ao iniciar a nova etapa que a Igreja missionária da América Latina e do Caribe se dispõe a empreender, a partir desta Conferência Geral em Aparecida, é condição indispensável, o conhecimento profundo da palavra de Deus. Por isso, é preciso educar o povo na leitura e na meditação da palavra de Deus.

Conferência Geral

Esta Conferência Geral se celebra em continuidade com as outras quatro que a precederam, no Rio de Janeiro, Medellín, Puebla e Santo Domingo. Com o mesmo espirito que as animou, os pastores querem dar agora um novo impulso à evangelização, para que os povos sigam crescendo a amadurecendo na sua fé.

Depois da 4ª Conferência Geral, em Santo Domingo, muitas coisas mudaram na sociedade. A Igreja, que participa dos frutos e esperanças, das penas e das alegrias dos seus filhos, quer caminhar ao seu lado neste período de tantos desafios, para infundir sempre esperança e consolo.

Família

Atualmente, (a família) sofre situações adversas provocadas pelo secularismo e pelo relativismo ético, pelos diversos fluxos migratórios internos e externos, pela pobreza, pela instabilidade social e por legislações civis contrárias ao matrimônio que, ao favorecer os contraceptivos e o aborto, ameaçam o futuro dos povos.

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