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Atualizado às: 03 de abril, 2007 - 10h36 GMT (07h36 Brasília)
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Seqüestros de crianças aumentam no Haiti
Cité Soleil
Maior parte das vítimas é levada para Cité Soleil
Um salto no número de casos de crianças capturadas no Haiti levou a missão da ONU no país a lançar um apelo pelo fim desse tipo de seqüestro, que muitas vezes resulta em violência sexual ou até na morte das crianças.

Entre 12 e 26 de março foram seqüestradas na capital haitiana, Porto Príncipe, oito crianças, das quais três foram mortas - incluindo um bebê de cinco meses.

A maior parte das vítimas, cinco meninas e três meninos, tinha menos de quatro anos.

"Algumas crianças são mortas mesmo que a família pague o resgate", afirma o Consultor para a Proteção da Criança da Minustah (Missão de Estabilização da ONU no Haiti), Massimo Toschi.

Ele cita casos de brutalidade dos seqüestradores, como o de uma menina que teve os olhos arrancados e o corpo mutilado.

As que são libertadas, mediante uma negociação que pode envolver policiais haitianos e da ONU, muitas vezes só deixam o cativeiro depois de sofrer violência sexual, risco que aumenta quando as vítimas são meninas.

Como costuma ocorrer com adultos, os seqüestradores começam com um pedido de resgate de quantias altíssimas como US$ 150 mil e acabam concordando com US$ 200 ou US$ 500 - o que ainda pode ser muito dinheiro para uma família dos bairros mais pobre de Porto Príncipe.

Apelo da ONU

O problema havia melhorado depois de um apelo que a ONU fez em dezembro, o pior mês para crianças, quando 50 foram seqüestradas.

De lá para cá, o número havia caído para oito em janeiro (de um total de 39 casos) e cinco em fevereiro (de um total de 24).

Para março, só há dados para a primeira quinzena, que sugerem uma desproporção: houve cinco casos de seqüestros (que não discriminam crianças e adultos) registrados até o dia 15. Por outro lado, os oito casos envolvendo crianças ocorreram também num período de 15 dias.

Toschi diz que o novo apelo já está repercutindo na sociedade haitiana. "Todas as rádios estão falando no assunto e alguns políticos já propõem medidas mais duras (para lidar com os seqüestradores)".

Embora aumentos na criminalidade sejam comumente atribuídos a questões políticas, Toschi diz não entender a razão da piora.

Ainda segundo o consultor da ONU, a maior parte das crianças é seqüestrada em Porto Príncipe e levada para Cité Soleil, área de atuação do batalhão brasileiro da Minustah.

O porta-voz do batalhão, coronel Afonso Pedrosa, diz que os soldados dão todo o apoio necessário a operações da polícia nacional haitiana, mas acrescenta que não há uma estratégia específica para combater o seqüestro de crianças.

Segundo Pedrosa, a melhora da segurança em termos gerais - por meio da repressão das gangues armadas de Porto Príncipe - vai levar naturalmente a uma redução no número de seqüestros.

A Minustah anunciou na semana passada que as suas tropas prenderam 400 "membros de gangue" desde o início do ano.

A porta-voz da Minustah, Sophie Boutaud de la Combe, elogiou o trabalho dos capacetes azuis no Haiti, mas disse que esses "atos bárbaros" mostram que ainda há muito o que fazer no país.

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